A proposta que prevê a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso e deve acelerar nas próximas semanas, impulsionada principalmente pelo calendário eleitoral de 2026. Enquanto a Câmara dos Deputados prepara a votação da PEC ainda neste mês, senadores já admitem que a pressão popular e o receio de desgaste político podem acelerar a tramitação da matéria também no Senado.
Segundo reportagem do Estadão, a expectativa é que o texto seja analisado na Câmara pela comissão especial em 26 de maio, e levado ao plenário já no dia seguinte. A proposta reúne iniciativas apresentadas pelos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton.
Já no Senado, existe uma PEC semelhante apresentada por Paulo Paim, aprovada anteriormente na Comissão de Constituição e Justiça, mas parlamentares indicam que a tendência é aguardar a definição do texto vindo da Câmara.
O debate ganhou novo peso após declarações do ministro Guilherme Boulos, que alertou para o risco de a proposta avançar apenas na Câmara e acabar travada no Senado. Apesar disso, integrantes da Casa avaliam que o ambiente político favorece a aprovação ainda neste ano, sobretudo porque a pauta possui forte apelo popular.
Nos bastidores, senadores admitem que votar contra a redução da jornada pode gerar desgaste em ano pré-eleitoral. Outros, porém, demonstram preocupação com o impacto econômico da medida, principalmente sobre comércio e indústria.
Parlamentares ligados ao setor produtivo defendem compensações, como desoneração da folha de pagamento, para evitar aumento de custos às empresas e repasse de preços ao consumidor.
Há também divergência sobre o prazo de implementação da mudança. Enquanto parte do Congresso discute regras de transição graduais, aliados do governo criticam a possibilidade de adiar os efeitos da medida por vários anos.
Mesmo com resistências, a avaliação predominante em Brasília é que a discussão da escala 6×1 deve se tornar um dos principais temas políticos e trabalhistas do país ao longo de 2026.
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