Skip to content Skip to footer

Por que os atos de hoje foram tão fortes?

Manifestações
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Pedro Carrano, integrante da coordenação da Frentes de Organização dos Trabalhadores (FORT)

Há anos a esquerda e as forças populares não levavam tanta gente pras ruas, em todas as capitais e, ao total, 35 cidades do Brasil.

Contra a Anistia, pela punição aos golpistas, pela Soberania e contra a PEC da Blindagem/ Bandidagem do Congresso; em Curitiba a Boca Maldita ficou lotada, como há anos não se via.

Salvador, Natal, Recife, Rio, Aracaju e Belo Horizonte, entre outras, mostraram muita força. Na maior cidade do país, SP, o ato em julho havia tido 15 mil pessoas e agora alcançou 42,4 mil de acordo com USP e Cebrap. Análises e fotos apontam que deve ter sido maior.

A presença massiva se deve ao caráter antipopular escancarado da Câmara ao aprovar a PEC da Blindagem e da Anistia. Além disso, o neofascismo neste ano se desgasta e perde capacidade de mobilização ao erguer bandeiras dos EUA e ficar ao lado da taxação e das ameaças ao país, permitindo à esquerda retomar a bandeira da Soberania.

A presença de setores médios anima a mobilização da esquerda, mantendo o desafio central de ampliar a participação popular e da classe trabalhadora.

Temos que registrar também uma conjuntura importante, na qual o governo Lula reagiu às pressões de Trump, e há espaço para avançar ainda mais. A pressão das ruas é essencial neste sentido, afinal trata-se do primeiro protesto massivo da história durante um governo Lula.

Antes delegava-se ao governo qualquer responsabilidade. A compreensão de pressão por parte das forcas populares e de posicionamento firme do governo é fundamental no próximo período. O enfrentamento, afinal, dá resultados e anima as pessoas a participar.

Congresso elitista

O caráter elitista do Congresso, avesso às necessidades reais dos trabalhadores, deve ser denunciado pelas forças de esquerda, para acumular em mobilização.

Nalgum momento, depois do Plebiscito pela Constituinte do Sistema Político, em 2014, com 8 milhões de votos, perdemos a capacidade de aglutinar em torno da crítica ao Congresso, permitindo que o neofascismo ganhasse forças com o sentimento de crítica às instituições.

Essa crítica é nossa. Não deles, centrão neoliberal e neofascismo, que estão abraçados nas benesses do orçamento secreto, nas pautas privatistas e em buscar se absolver dos próprios crimes.

A redução da jornada de trabalho, a Soberania com direitos populares, o combate ao neofascismo, a taxação dos ricos e o investimento público, com a retomada das empresas estatais, devem conformar uma agenda nacional de mobilizações.

Nosso papel neste momento histórico é fortalecer a organização popular, a unidade das forças populares, construindo uma agenda comum que mobilize milhões.

A organização popular deve se fortalecer no dia a dia, já os atos devem expressar uma agenda que aglutine e seja construída em unidade pelas forças.

Pedro Carrano

Jornalista, escritor, autor de 12 livros, é militante do movimento popular, da campanha Despejo Zero e da coordenação da Frente de Organização dos Trabalhadores (FORT).

Mais Matérias

12 jun 2026

Carta Aberta a João Bettega e Jeffrey Chiquini

Prezado João Bettega, pré-candidato, prezado Jeffrey Chiquini, pré-candidato…
10 jun 2026

Quem não paga pensão não entra no estádio — e vai preso

Desde 2023, o Palmeiras mantém uma parceria com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo…
09 jun 2026

Pressionar o Senado pelo fim da escala 6×1 e uma sugestão de como avançar na redução da jornada

A grande vitória conquistada pelos trabalhadores na Câmara dos Deputados, com a aprovação do fim da escala 6×1…
09 jun 2026

O algoritmo está moldando nossas opiniões?

Nietzsche, o rebanho digital e a geração que pensa que pensa por si mesma
08 jun 2026

A Rua Convoca, a História Confirma: Reflexões sobre a 30ª Parada LGBTI+ de São Paulo

Há momentos em que a história deixa de ser apenas uma sequência de acontecimentos e passa a ser…

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos