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Investigação aponta uso de estrutura financeira do banco Master para bancar imóvel de luxo

(Foto: studioHub Arquitetura/divulgação)

A Polícia Federal e o Banco Central apuram uma complexa engrenagem financeira que teria sido usada para desviar recursos do Banco Master em benefício do seu controlador, Daniel Vorcaro. No centro da investigação está a compra de uma mansão de alto padrão no Lago Sul, em Brasília, avaliada em cerca de R$ 36 milhões, utilizada por Vorcaro quando estava na capital federal para encontros reservados com políticos e interlocutores do mercado.

Segundo informações levantadas pela Folha de S. Paulo, o imóvel foi adquirido em maio de 2024 pela Super Empreendimentos e Participações, empresa que integra o grupo de companhias suspeitas de receber empréstimos irregulares do próprio Master.

A Super tem como um de seus sócios Fabiano Zettel, cunhado e homem de confiança de Vorcaro, que à época exercia função de direção na empresa. Meses depois, Zettel deixou formalmente o quadro societário, sendo substituído por uma funcionária.

As apurações indicam que a compra da casa foi viabilizada após uma sequência de operações financeiras envolvendo empréstimos concedidos pelo banco a empresas, repasses a fundos administrados pela gestora Reag e, posteriormente, a transferência de recursos para a Super.

Parte desse dinheiro teria sido reaplicada no próprio banco, inflando artificialmente resultados e patrimônio, segundo investigadores. Dados do Banco Central mostram que fundos envolvidos chegaram a investir pesadamente em CDBs do Master e, pouco depois, realizaram resgates bilionários, alimentando novos repasses.

Quase um ano após a compra, a mansão foi revendida pela Super a uma empresa do grupo Prime You, da qual Vorcaro é sócio, pelo mesmo valor pago originalmente. Especialistas ouvidos por investigadores apontam que esse tipo de operação pode mascarar a retirada de recursos do banco sem a distribuição formal de dividendos e ainda evitar a incidência de imposto de renda, já que não houve ganho de capital declarado.

Para analistas em regulação financeira, o caso levanta suspeitas graves de conflito de interesses e de violação de regras básicas que proíbem o uso de recursos de instituições financeiras para despesas pessoais de controladores, inclusive por meio de estruturas indiretas ou envolvendo familiares.

Dependendo de quem figure como beneficiário final dos fundos usados nas transações, os prejuízos podem atingir tanto o sistema financeiro quanto outros cotistas.

Zettel chegou a ser alvo de uma fase recente da operação policial, tendo sido detido brevemente ao tentar deixar o país, mas acabou liberado. A defesa de Vorcaro sustenta que sua relação com a Super é estritamente comercial, enquanto advogados de Zettel afirmam que suas atividades empresariais são lícitas e sem ligação com a gestão do banco. As autoridades seguem analisando documentos e fluxos financeiros para determinar se houve desvio de recursos e tentativa de driblar a fiscalização.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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