Sob suspeita de fraude, ex-sócio do Master recebe aval do BC para assumir banco
Mesmo sob investigação por suspeitas de irregularidades financeiras, o Banco Central autorizou, em julho de 2025, a transferência do controle de uma instituição ligada ao Banco Master para um empresário diretamente associado ao caso. A decisão permitiu que Augusto Lima, ex-sócio relevante do Master, assumisse o comando do então Banco Voiter, que mais tarde passou a operar como Banco Pleno, com foco no atendimento a empresas.
O aval foi concedido em um momento sensível. Dias antes, o próprio Banco Central havia encaminhado ao Ministério Público Federal uma representação apontando indícios de crimes relacionados à venda de carteiras de crédito consignado pelo Master.
O alerta começou a se consolidar em março, quando técnicos do regulador identificaram uma movimentação considerada fora do padrão: cerca de R$ 12,2 bilhões transferidos do Banco de Brasília (BRB) ao Master, referentes à aquisição dessas carteiras no início de 2025.
Questionado sobre a origem dos créditos, o Master afirmou que eles teriam sido gerados por associações de servidores públicos da Bahia. A justificativa, no entanto, não se sustentou após análises técnicas. O Banco Central concluiu que as entidades citadas não possuíam capacidade financeira compatível com o volume negociado. A partir disso, novos esclarecimentos foram exigidos e outras inconsistências passaram a ser identificadas, ampliando o alcance das investigações.
Em novembro, a apuração resultou na deflagração da Operação Compliance Zero. Augusto Lima foi preso ao lado de executivos do Master, incluindo o controlador Daniel Vorcaro. Posteriormente, os investigados obtiveram liberdade provisória e passaram a cumprir medidas cautelares, como o monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Embora afastado da gestão direta do Banco Pleno por determinação do regulador, a instituição continuou operando normalmente. Paralelamente, a investigação passou a examinar com mais profundidade os vínculos de Lima com as associações baianas apontadas como originadoras dos créditos, incluindo procurações e coincidências cadastrais que levantaram suspeitas sobre o controle efetivo das operações.
A autorização concedida pelo Banco Central contrasta com outra decisão tomada no mesmo dia, quando o órgão negou a transferência de uma segunda instituição ligada ao Master para outro ex-sócio, alegando falta de comprovação financeira e dúvidas sobre a origem dos recursos. O contraste reforçou questionamentos sobre os critérios adotados em um dos casos mais sensíveis recentes do sistema financeiro.
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