A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu os inquéritos que apuraram a morte do cão comunitário Orelha e a tentativa de afogamento do cachorro Caramelo, ocorridas na Praia Brava, no Norte da Ilha de Florianópolis. As investigações apontaram o envolvimento de adolescentes nos dois episódios, classificados como atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos a animais.
No caso de Orelha, um adolescente foi identificado como responsável pela agressão que levou à morte do animal. A polícia solicitou a internação provisória do jovem, que passou parte do período investigado fora do país.
A apuração reuniu um conjunto amplo de provas, incluindo imagens de câmeras de segurança, análise de vestimentas, laudos periciais e depoimentos de testemunhas. Segundo a Polícia Científica, Orelha sofreu um golpe contundente na cabeça, compatível com um chute ou com o uso de um objeto rígido.
Ao todo, 24 pessoas foram ouvidas e mais de mil horas de gravações de 14 câmeras diferentes foram analisadas. A investigação também utilizou recursos tecnológicos para reconstituir deslocamentos e confrontar versões apresentadas durante os depoimentos.
- Brasil soma 57 mil inquéritos por maus-tratos a animais em três anos
- Impunidade: cresce clamor por federalização do caso Orelha
- Caso Orelha: apresentadora “detona” delegado-geral da Polícia de SC: “vergonhoso”
Contradições identificadas ao longo do processo foram decisivas para a definição da autoria. Três adultos também foram indiciados por coação, por tentativas de interferir no andamento das apurações.
No episódio envolvendo o cachorro Caramelo, quatro adolescentes foram responsabilizados pela tentativa de afogamento. Assim como no caso anterior, os procedimentos seguem sob sigilo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Orelha morreu no dia 4 de janeiro e era conhecido há cerca de uma década como um dos cães comunitários da Praia Brava. Cuidado por moradores e comerciantes da região, o animal era presença constante no bairro e conhecido por seu comportamento dócil.
A morte gerou forte comoção local e reacendeu o debate sobre violência contra animais e a responsabilização de jovens envolvidos em atos de crueldade. Os inquéritos foram encaminhados ao Ministério Público de Santa Catarina, que agora avalia as medidas cabíveis.
Bookmark