Skip to content Skip to footer

TJMG absolve homem acusado de estupro de menina de 12 anos

(Foto: Willian Fernandes/AGE-MG)

Em uma decisão que provocou forte debate no meio jurídico, a 9ª Câmara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais absolveu um homem de 35 anos que havia sido condenado por estupro de vulnerável. O caso envolve uma menina de 12 anos e também resultou na absolvição da mãe dela, apontada inicialmente como conivente com o relacionamento.

Em primeira instância, o réu havia recebido pena de nove anos e quatro meses de prisão. No entanto, ao analisar o recurso, o colegiado entendeu que a situação apresentava características específicas que afastariam a configuração do crime. Para a maioria dos desembargadores, não houve violência, ameaça ou imposição, e o relacionamento teria ocorrido com conhecimento e concordância da família da adolescente.

O relator do processo, desembargador Magid Nauef Láuar, sustentou que o vínculo afetivo entre o homem e a menina era público e aceito no ambiente familiar, o que, na visão dele, retiraria elementos indispensáveis para enquadramento penal.

O julgamento aplicou o conceito jurídico de “atipicidade material”, argumento segundo o qual, apesar de a conduta se enquadrar formalmente na lei, faltariam requisitos concretos para caracterizar o delito. Também foi utilizada a técnica do “distinguishing”, mecanismo que permite diferenciar o caso de entendimentos consolidados em tribunais superiores.

No voto que prevaleceu, Magid Nauef Láuar afirmou que o relacionamento entre o acusado e a menor não envolveu violência, ameaça, fraude ou constrangimento.

“Todo o relacionamento mantido entre o acusado e a menor não decorreu de ato de violência, coação, fraude ou constrangimento, mas sim de um vínculo afetivo consensual, com prévia aquiescência dos genitores da vítima e vivenciado aos olhos de todos”, ressaltou o desembargador.

A decisão divergiu da jurisprudência predominante no país, que considera irrelevante o consentimento da vítima em crimes sexuais contra menores de 14 anos. Uma das desembargadoras votou pela manutenção da condenação, defendendo que a proteção legal à criança deve prevalecer independentemente de eventual anuência familiar ou envolvimento emocional.

Com a nova decisão, o acusado e a mãe foram soltos. O processo corre sob segredo de Justiça, sem divulgação de nomes ou do município onde os fatos ocorreram.

Bookmark

Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

Mais Matérias

17 abr 2026

Renato Freitas: o negro, pobre, favelado que enfrentou e venceu os coronéis do Paraná

De alvo da direita a algoz de poderosos, deputado do PR sobreviveu a processos de cassação e se tornou uma das lideranças mais desafiadoras da esquerda no País
16 abr 2026

Brasil Quer Mais Tempo: conheça e participe da campanha pelo fim da escala 6×1

Movimento nacional aposta em pressão popular para acelerar discussão sobre jornada no Congresso
17 abr 2026

Adeus ao “Mão Santa”: Oscar Schmidt morre e deixa legado histórico

Ex-jogador era recordista mundial de pontos e referência do basquete brasileiro
17 abr 2026

Crueldade: cachorro caramelo comunitário é baleado por policial no RJ

Moradores locais acusam um policial que reside no bairro de ter efetuado o disparo por não gostar de animais
17 abr 2026

Tarcísio participou de jantar com empresário do funk preso em operação da PF

Encontro ocorreu meses antes de prisão em investigação que apura movimentações bilionárias com elo no crime organizado
17 abr 2026

Brasil registra mais de 1 milhão de atendimentos por violência contra mulheres

Dados oficiais mostram avanço das denúncias e rotina de agressões, principalmente dentro de casa

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário