Um grupo de senadores apresentou no Senado Federal um pedido para instalar uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar possíveis conexões entre dois ministros do Supremo Tribunal Federal e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao extinto Banco Master.
A iniciativa foi protocolada na noite de segunda-feira (9) pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que atualmente atua como relator da CPI do Crime Organizado.
O requerimento já reúne 35 assinaturas, oito a mais que o mínimo necessário para a criação de uma CPI. Entre os apoiadores estão parlamentares do PL e do PP, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Já integrantes do MDB, partido do autor da proposta, e do PT optaram por não subscrever o documento.
Para que a investigação seja oficialmente instaurada, o pedido ainda precisa ser lido em plenário pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A proposta passa a disputar espaço na pauta com outros três requerimentos de CPI que aguardam o mesmo procedimento.
A comissão pretendida não teria como foco revisar decisões judiciais tomadas pelo Supremo. Segundo a justificativa apresentada, o objetivo é examinar se houve relações pessoais, financeiras ou institucionais entre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e pessoas investigadas em processos relacionados ao Banco Master ou a empresas vinculadas ao grupo.
A menção ao ministro Dias Toffoli decorre da participação de uma empresa da qual ele declarou ser sócio. A companhia, administrada por familiares do magistrado, chegou a integrar a sociedade de um empreendimento turístico após receber aportes de um fundo de investimento ligado a um parente do banqueiro Daniel Vorcaro.
A relação societária permaneceu até fevereiro de 2025, quando a participação foi vendida. Depois que as conexões se tornaram públicas, Toffoli deixou a relatoria de um inquérito envolvendo o banco no Supremo.
No caso de Alexandre de Moraes, a controvérsia envolve um contrato firmado entre o Banco Master e um escritório de advocacia pertencente à sua esposa. Também vieram à tona mensagens atribuídas a Vorcaro enviadas ao ministro pouco antes da prisão do empresário.
Moraes afirma que as mensagens não foram direcionadas a ele, enquanto reportagens indicam que os registros teriam sido identificados em perícia da Polícia Federal.
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