Um levantamento divulgado pelo Instituto Sou da Paz neste domingo (8) revela que a arma de fogo continua sendo o principal instrumento usado em assassinatos de mulheres no Brasil. Em 2024, quase metade dessas mortes, cerca de 47%, ocorreu com o uso desse tipo de armamento, segundo análise baseada em registros do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.
No total, o país contabilizou 3.642 mulheres mortas em ocorrências classificadas como homicídio ao longo do ano passado. A categoria reúne diferentes tipos de mortes provocadas por agressões intencionais, incluindo feminicídios e casos resultantes de intervenções policiais.
Apesar da gravidade dos números, o estudo aponta uma leve redução no total de assassinatos de mulheres nos últimos anos. Entre 2020 e 2024, a queda foi de 5%. No mesmo intervalo, porém, a redução entre vítimas masculinas foi mais acentuada, chegando a 15%.
Quando analisadas especificamente as mortes cometidas com armas de fogo, a diminuição registrada foi de 12%. Ainda assim, o recurso permanece como o meio mais frequente nos crimes contra mulheres.
Especialistas em segurança pública alertam que a presença de armas aumenta significativamente a chance de morte em episódios de violência doméstica ou de gênero. A alta letalidade desses instrumentos faz com que conflitos ou agressões tenham desfechos fatais com maior facilidade.
Outro dado que chama atenção é o crescimento proporcional dos feminicídios. Em 2024, 1.492 casos foram classificados dessa forma, quando a investigação conclui que o crime ocorreu motivado pela condição de gênero da vítima. Esse tipo de assassinato representou aproximadamente 40% dos homicídios de mulheres registrados no país, índice superior ao observado no ano anterior.
O estudo também mostra que muitos desses crimes acontecem dentro de casa. Cerca de 35% das mortes ocorreram em residências, enquanto 29% foram registradas em vias públicas. Quando considerados apenas os casos com local identificado, quase metade ocorreu no ambiente doméstico.
A análise indica ainda que assassinatos com armas de fogo tendem a ocorrer mais frequentemente em espaços públicos, enquanto outros meios de agressão aparecem com maior incidência dentro de casa.
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