Um estudo de alcance nacional divulgado recentemente aponta que a exposição à violência interpessoal está diretamente associada ao aumento do risco de suicídio entre jovens no Brasil, com impacto mais intenso entre indígenas e negros. A pesquisa, conduzida pelo Cidacs/Fiocruz Bahia em parceria com a universidade de Harvard (EUA), analisou dados de milhões de pessoas entre 10 e 29 anos ao longo de sete anos para identificar como fatores sociais e raciais influenciam esse cenário.
Com base em informações de registros públicos e sistemas de saúde, o levantamento identificou dezenas de milhares de casos de violência envolvendo jovens e mais de mil mortes por suicídio no período analisado.
Os resultados mostram que a chance de suicídio é significativamente maior entre jovens indígenas, seguida por jovens negros, enquanto não houve associação relevante entre jovens brancos. O recorte racial, segundo os pesquisadores, evidencia desigualdades profundas que vão além da saúde mental e estão ligadas a condições estruturais.
A pesquisa destaca que a vivência de agressões físicas, abuso sexual e violência doméstica tem efeitos duradouros, como trauma psicológico, depressão e uso de substâncias, fatores que aumentam a vulnerabilidade ao suicídio. Além disso, jovens de grupos historicamente marginalizados estão mais expostos a contextos de pobreza, exclusão social e menor acesso a oportunidades, o que amplia os riscos.
No caso de comunidades indígenas, o cenário é ainda mais complexo. A pressão sobre territórios, conflitos fundiários e mudanças no modo de vida tradicional agravam o sofrimento coletivo e individual. Há também diferenças culturais na forma como o suicídio é compreendido, o que exige abordagens específicas.
Os autores defendem que políticas públicas precisam considerar essas desigualdades e ampliar o foco para além do tratamento individual, incluindo ações de combate à violência e redução das disparidades raciais como estratégias centrais de prevenção.
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