Uma investigação conduzida pela Polícia Federal colocou sob suspeita a relação entre o deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) e pessoas ligadas ao cantor Wesley Safadão. O relatório final do inquérito, já encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, descreve uma proximidade que, segundo os investigadores, ultrapassou o campo pessoal e avançou para interesses políticos e administrativos.
De acordo com apuração realizada pelo portal UOL, houve troca direta de mensagens entre o parlamentar e o artista em 2024, quando Júnior Mano solicitou apoio financeiro para um evento em Nova Russas, município administrado por sua esposa.
O pedido ocorreu após o cantor ter sido contratado por prefeituras da região por valores elevados. Para a PF, o contexto sugere a possibilidade de devolução de parte dos recursos públicos por meio de patrocínio informal.
Outro ponto levantado envolve o uso de aeronaves do cantor. Mensagens indicam que o deputado buscou apoio do Ministério dos Portos e Aeroportos para liberar jatinhos com rapidez, alegando necessidade para deslocamentos durante a campanha eleitoral no interior do Ceará.
A investigação também aponta forte ligação com Yvens Watila, empresário e irmão de Safadão. Ele foi encontrado em imóvel funcional do deputado em Brasília e teria participação em articulações políticas, incluindo discussões sobre pesquisas eleitorais e indicação de nomes.
Outro familiar citado é Wellington Silva de Oliveira, conhecido como Edim, prefeito de Aracoiaba, que aparece em conversas sobre liberação de recursos. Ele foi afastado do cargo após condenação por estelionato.
A PF concluiu que Júnior Mano integraria o núcleo central de uma organização criminosa voltada à captação irregular de recursos públicos, com cobrança de comissões sobre emendas parlamentares e influência em órgãos públicos. O deputado nega irregularidades e atribui a divulgação do caso a motivações políticas. O cantor também afirma não ter envolvimento com atividades ilícitas.
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