A Justiça italiana autorizou a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, detida no país europeu desde julho do ano passado após ser considerada foragida pelas autoridades brasileiras. A decisão, porém, ainda não encerra o caso e pode ser contestada pela defesa.
Os advogados da ex-parlamentar já indicaram que vão recorrer à Corte de Cassação, instância máxima do Judiciário italiano. Mesmo após o eventual esgotamento dos recursos judiciais, caberá ao Ministério da Justiça da Itália dar a palavra final sobre o envio de Zambelli ao Brasil.
O titular da pasta, Carlo Nordio, também poderá ser acionado pela defesa em nova tentativa de barrar a extradição, inclusive por meio de um recurso administrativo.
O processo se arrasta há meses. Desde a prisão, a estratégia da defesa tem sido prolongar o andamento do caso, com sucessivos pedidos de adiamento das audiências em Roma. Ainda assim, o Ministério Público italiano já havia se posicionado, em outubro, favoravelmente à extradição.
A embaixada brasileira na capital italiana foi comunicada da decisão mais recente. O governo brasileiro acompanha o caso de perto, diante do interesse em garantir o cumprimento das penas impostas à ex-deputada.
No Brasil, Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal em dois processos já encerrados, sem possibilidade de novos recursos. As penas somam mais de 15 anos de prisão. Em um dos casos, ela foi responsabilizada por envolvimento na inserção de um documento falso no sistema do Judiciário. No outro, pela perseguição armada a um homem em São Paulo, às vésperas das eleições de 2022.
Zambelli deixou o cargo em dezembro, após o Supremo anular uma decisão da Câmara que havia mantido seu mandato. A eventual extradição pode acelerar o início do cumprimento das penas no país.
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