A Polícia Federal investiga indícios de que o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, bancou despesas do deputado federal cassado, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025, articulando sanções do governo Trump contra o Brasil.
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As suspeitas surgiram após a revelação de que o banqueiro teria repassado mais de U$S 10 milhões, ou R$ 61 milhões para a produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), em negociação que envolveu o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo.
De acordo com reportagem publicada na quarta-feira (13), pelo Intercept, Vorcaro teria se comprometido a repassar um total de U$S 24 milhões, ou R$ 134 milhões para a produção. Em áudio divulgado pelo site, Flávio aparece pessoalmente pedindo dinheiro a Vorcaro para o filme.
O dinheiro teria sido repassado a um fundo de investimentos nos EUA administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
Desvio de finalidade
A PF tenta esclarecer se valores que deveriam ser destinados oficialmente à produção do filme foram, na verdade, usados para manter o deputado Eduardo Bolsonaro no exterior ou se houve desvio de finalidade.
As suspeitas são agravadas pelo fato de que os valores supostamente destinados à produção bolsonarista são muito mais altos do que filmes brasileiros premiados. Os números indicam que o filme do clã Bolsonaro custou 3 vezes mais do que “Ainda estou aqui”, e pelo menos 5 vezes do que “O Agente Secreto”, ambos indicados ao Oscar.
“Ainda estou aqui” custou aproximadamente US$ 8 milhões, ou cerca de R$ 45 milhões, um terço do que Vorcaro se comprometeu a repassar para o filme de Bolsonaro.
“O Agente Secreto” foi ainda mais barato: aproximadamente US$ 5 milhões, ou R$ 28 milhões, 20% do dinheiro que seria investido pelo dono do Master na produção bolsonarista.
O deputado Lindibergh Farias (PT-RJ), afirmou em vídeo nas redes sociais que tudo indica que o esquema envolveria lavagem de dinheiro. “O dinheiro que o Vorcaro mandou pros Estados Unidos, 61 milhões de reais, foi para Eduardo Bolsonaro contratar escritório de advocacia, de lobby, para fazer uma campanha contra o Brasil”, avalia.
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