A CPI do Crime Organizado no Senado avançou na terça-feira (31) sobre um dos eixos mais sensíveis das investigações em curso e decidiu convocar dois ex-governadores: Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, e Ibaneis Rocha, do Distrito Federal. A medida amplia o alcance político da comissão, que mira a relação entre agentes públicos, sistema financeiro e estruturas ligadas ao crime organizado.
Os pedidos partiram do senador Alessandro Vieira, que sustenta a necessidade de aprofundar a apuração sobre a presença de facções e milícias dentro de instituições do Estado. No caso do Rio, o foco recai sobre a expansão territorial desses grupos e suas fontes de financiamento.
Já no Distrito Federal, a investigação passa pela atuação de Ibaneis à frente do Banco de Brasília durante tratativas envolvendo o antigo Banco Master, além de conexões indiretas com alvos de operações recentes da Polícia Federal.
No mesmo pacote, os senadores aprovaram a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e de dados do empresário Fabiano Zettel, ligado à estrutura societária do grupo investigado. A decisão também alcança outros nomes e empresas associados ao caso, indicando um movimento mais amplo para rastrear fluxos financeiros e eventuais irregularidades.
A comissão incluiu ainda a convocação de integrantes do sistema financeiro e do Judiciário, como ex-dirigentes do Banco Central e magistrados, reforçando a tentativa de mapear possíveis falhas institucionais.
Os requerimentos foram inicialmente aprovados em bloco, mas, após orientação do ministro Gilmar Mendes, o colegiado realizou votação nominal para validar cada medida. O procedimento buscou evitar questionamentos jurídicos sobre as decisões.
Também voltou à pauta a convocação do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que não compareceu anteriormente após ter sua oitiva transformada em convite pelo ministro André Mendonça. Agora, a CPI tenta novamente ouvi-lo como testemunha, em meio a questionamentos sobre falhas de controle no sistema financeiro.
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