“Dominguinho Vol. 2” prova força do trio formado por João Gomes, Mestrinho e Jota.pê
“Dominguinho Vol. 2” chega menos contemplativo e mais interessado em transformar o sucesso do primeiro álbum em um grande baile popular. João Gomes, Jota.pê e Mestrinho repetem a fórmula que conquistou o público em 2025, mas agora com uma energia mais expansiva, pensada claramente para arenas lotadas, refrões coletivos e shows ainda maiores pelo Brasil.
Gravado no Centro Histórico de Salvador, o novo trabalho preserva a essência nordestina do projeto, mas aumenta a temperatura logo nas primeiras faixas. “Deusa Minha”, inédita que abre o disco, já deixa evidente a mudança de clima: há mais ritmo, mais pulsação e menos silêncio entre uma emoção e outra.
O trio segue funcionando de maneira muito orgânica vocalmente. João Gomes continua sendo o eixo central do projeto, enquanto Jota.pê e Mestrinho ajudam a construir um equilíbrio raro entre suavidade, técnica e carisma.
O álbum encontra seus melhores momentos justamente quando aposta nessa naturalidade. “Verão Sem Calor” resgata parte da delicadeza do primeiro volume e oferece um dos instantes mais bonitos do disco, enquanto “Ligação Estranha” e “Lembra” surgem com cara de músicas prontas para dominar apresentações ao vivo.
Já o medley de “Meu Cenário” com “Sala de Reboco” reforça o elo afetivo do trio com o cancioneiro nordestino e evidencia o quanto o projeto sabe reverenciar suas referências sem soar engessado. Mas “Dominguinho Vol. 2” também deixa uma sensação curiosa que culmina em um excesso de conforto que quase extrapola o andamento do álbum.
O repertório aposta fortemente em releituras conhecidas, como “As Quatro Estações”, de Sandy & Junior, e “Se Ela Dança, Eu Danço”, de MC Leozinho, escolhas que funcionam pelo fator nostalgia e pela conexão imediata com o público. Ainda assim, em alguns momentos, o álbum parece depender demais dessas memórias afetivas para sustentar sua identidade.
É justamente por isso que “Filho do Dono” chama atenção. Mais densa e menos festiva, a faixa quebra parcialmente o clima leve do disco ao abordar desigualdade social e tensões contemporâneas. O contraste mostra que existe espaço para caminhos mais ousados dentro do projeto.
Mesmo sem o impacto de novidade do primeiro volume, “Dominguinho Vol. 2” confirma a força do encontro entre João Gomes, Jota.pê e Mestrinho. O trio encontrou uma linguagem própria ao unir forró, nostalgia pop e música popular brasileira sem transformar nada disso em caricatura. Há menos intimidade e mais espetáculo desta vez, mas ainda existe calor humano suficiente para fazer o projeto continuar relevante, popular e extremamente eficiente.
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