O empresário e ex-deputado estadual Tony Garcia se filiou na semana passada ao partido Democracia Cristã e anunciou que é pré-candidato ao governo do Paraná com o objetivo de desmascarar o senador e também pré-candidato ao cargo, Sergio Moro (PL). Garcia acusa Moro de tê-lo usado como uma espécie de “informante clandestino” quando era juiz da Lava Jato, para grampear e espionar autoridades e políticos com o intuito de chantageá-las.
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Ele promete usar a campanha para detalhar quem é Moro de verdade, e quais os métodos que o ex-juiz usou para construir seu projeto político eleitoral. “Minha candidatura é para o poder ter espaço da imprensa para discutir quem é Sérgio Moro”, explicou em entrevista ao canal de You Tube “TV 247”.
“Eu vou ser a pessoa que com provas inequívocas eu vou mostrar quem é o Sérgio Moro e o que ele fez durante esses 22 ‘verões passados’. Para mim o Moro é um ‘serial killer’ de empregos, da construção civil pesada do país, de famílias que ele destruiu, gente que levou ao suicídio”, acusa o empresário.
Orgia gravada
Em 2004, Garcia foi preso por ordem de Moro, então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, no caso do Consórcio Nacional Garibaldi, ligado ao escândalo Banestado. Pouco depois, assinou um acordo delação homologado por Moro. Garcia afirma que o acordo não se baseava em confissão de crimes reais, mas foi construído como instrumento de coação.
Entre os episódios que o ex-deputado promete detalhar durante a campanha está a famosa “festa da cueca”, nome dado a uma suposta orgia ocorrida em 19 de novembro de 2003, na suíte presidencial de um hotel 5 estrelas em Curitiba.
Segundo Garcia, oito ou nove desembargadores do TRF-4 – tribunal que depois julgava recursos da Lava Jato – teriam participado de um encontro com garotas de programa. O evento teria sido filmado clandestinamente com uma câmera escondida no prendedor de gravata de um sócio de um advogado próximo de Moro na época. O vídeo teria sido entregue à equipe de Moro e guardado na 13ª Vara Federal de Curitiba.
Chantagem
Garcia afirma que Moro usou esse vídeo e outras gravações como instrumento de chantagem contra os magistrados para pressioná-los a não derrubarem decisões e condenações proferidas pelo então juiz da Lava Jato.
Em 3 de dezembro de 2025, a Polícia Federal fez buscas na 13ª Vara Federal de Curitiba, quando teria apreendido o vídeo da “Festa da Cueca”, junto com a famosa “caixa amarela” de arquivos e outros documentos antigos relacionados a Tony Garcia.
“Essa pessoa (Moro) não pode ficar impune e passar como se fosse um herói, entendeu? Então eu vou trazer para desmistificar esse suposto herói que é um bandido. Na verdade, eu vou trazer com as provas que eu tenho durante a campanha. Vou aproveitar para colocar o que eu tenho nos autos assinado por ele. Por todas as transcrições, eu vou trazer para o escrutínio geral da nação”, garante Garcia.
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