O líder do PL de Flávio Bolsonaro, deputado Sóstenes Cavalcanti (RJ), anunciou na quarta-feira (22), na reunião da CCJ da Câmara que aprovou o fim da escala 6 X 1, que, além de ser contra a mudança, vai propor um modelo de contratação por “hora trabalhada”.
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De 2023 a 2025, segundo dados do Portal da Transparência da Câmara, Sóstenes “trabalhou” 291 dias ou uma média de 97 dias por ano. Por esse “trabalho”, Sóstenes custou aos cofres públicos R$ 7,2 milhões.
Isso significa um custo por “dia trabalhado” de mais de R$ 24 mil. Considerando que as sessões da Câmara duram, em média, 4 horas, isso equivale a dizer que Sóstenes recebeu R$ 6 mil por hora “trabalhada”.
No caso do trabalhador comum, os valores são bem diferentes. De acordo com dados de março de 2026 da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgada mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o rendimento médio do trabalhador brasileiro está em aproximadamente R$ 3.679 mensais.
Considerando a jornada atual, de seis dias de trabalho e um de folga, totalizando 44 horas semanais ou 220 horas mensais, isso significa um rendimento médio de R$ 16,72 por hora. Ou seja, o trabalhador brasileiro já recebe, atualmente, em média, o equivalente a 0,28% dos R$ 6 mil pagos ao líder do PL, Sóstenes.
A realidade, porém, é ainda mais complexa. A maioria, ou 70% dos trabalhadores brasileiros ganha até dois salários mínimos, ou R$ 3.242 mensais. Isso significa uma remuneração por hora trabalhada de R$ 14,73. Esse valor equivale a 0,25% do recebido por hora trabalhada por Sóstenes.
A cada “hora trabalhada”, o líder do PL ganha pouco menos do que a maioria dos brasileiros em dois meses.
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