Quando resolveu defender a ideia do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), de legalização do trabalho infantil no Brasil a partir dos 12 anos de idade, a jornalista bolsonarista Leda Nagle não imaginava a resposta que receberia. No domingo (03), ela publicou texto elogiando a fala de Zema, afirmando que, quando criança, teria trabalhado no armazém de seu pai, e que isso teria sido positivo para sua formação.
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“Trabalhei desde muito cedo junto com meu pai e minha mãe no nosso Armazém Mineiro a partir de 9 e 10 anos. Ia ao Instituto Santos Anjos de manhã, fazia os deveres de casa no balcão do armazém e depois atendia fregueses, junto com meus pais, pesando arroz, feijão (que na época eram vendidos a granel) e fazia pequenas entregas. Tenho belas lembranças desta época. Éramos fortes, unidos e felizes. Sem drama”, escreveu ela.
Oi Leda
Assim como você também trabalhei na infância
Lá no Empório do Nogueira
Os filhos do sr Nogueira também “Trabalhavam lá”
A única semelhança entre eu e aquelas duas crianças, era a idade
Já as diferenças eram enormes, por exemplo:1) Eu não poderia NEM SONHAR em fazer…
— Bruno Farias Psicólogo (@FariasPsicologo) May 4, 2026
Na segunda-feira (04), o psicólogo Bruno Farias respondeu contando que também trabalhou no mesmo armazém de Leda quando criança, só que não como “filho do dono”, mas como empregado.
“Os filhos do sr Nogueira também ‘trabalhavam lá’. A única semelhança entre eu e aquelas duas crianças era a idade. Já as diferenças eram enormes”, disse, fazendo uma lista delas:
“1) Eu não poderia NEM SONHAR em fazer trabalho escolar durante horário de trabalho
2) Eles não iam todos os dias
3) Não trabalhavam doentes
4) Não cumpriam jornadas de trabalho
5) Além de terem a infância para brincar, ver desenhos, fazer esportes, inglês etc;
Eu só tive: cansaço, distanciamento da minha família, tédio e tortura”, explicou Bruno, relatando que, na época, foi obrigado a trabalhar para ajudar a sustentar os irmãos menores.
Bruno acrescentou outra diferença fundamental. “Os filhos do dono podiam consumir qualquer coisa, seja refeição, sucos, refrigerantes, doces etc. Já eu, a criança funcionária, se pegasse qualquer ítem seria imediatamente descontado do meu dia de trabalho”.
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