A possível rejeição da delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal ganhou força nos bastidores da investigação após a nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira (7), que teve como alvo o senador Ciro Nogueira.
Integrantes ligados ao caso avaliam que o material entregue pelo ex-dono do Banco Master não trouxe informações inéditas capazes de alterar o rumo das apurações.
Segundo informações divulgadas pela coluna de Miriam Leitão, do jornal O Globo, o entendimento atual é de que os investigadores já reuniram provas consideradas mais robustas do que aquelas apresentadas na proposta de colaboração.
A avaliação interna é de que os fatos revelados até agora por Vorcaro pouco acrescentaram ao processo e não contribuíram de forma significativa para esclarecer os supostos crimes investigados. A análise feita por autoridades envolvidas no caso indica que a operação desta quinta teria ampliado ainda mais a fragilidade da tentativa de acordo.
Isso porque a Polícia Federal já teria avançado sobre pontos que o empresário pretendia apresentar como trunfos da colaboração, reduzindo o peso das informações oferecidas por ele.
Diante desse cenário, a tendência, neste momento, seria pela não homologação da delação. Para permanecer na condição de colaborador, Vorcaro precisaria apresentar novos elementos, provas documentais e detalhes ainda desconhecidos pelos investigadores. Sem isso, a avaliação é de que o acordo perde utilidade para o andamento do processo.
A defesa do empresário protocolou oficialmente a proposta de delação na quarta-feira (6), encaminhando o material simultaneamente à PGR e à Polícia Federal. A colaboração previa relatos sobre supostas irregularidades envolvendo agentes públicos e operadores financeiros, mas, até agora, o conteúdo é visto como insuficiente pelas autoridades responsáveis pela investigação.
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