O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou nesta sexta-feira (08), em entrevista ao Brasil Fora da Caverna, confiar que o fim da escala 6 X 1 será aprovado pela Câmara Federal até o final deste mês de maio, e em seguida pelo Senado, “sem enrolação”, para entrar em vigor o quanto antes. Foi para isso, lembrou, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou à Casa um projeto de lei com pedido de urgência constitucional.
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“A PEC estava parada há quase um ano e meio na Câmara. Isso sem falar naquelas mais antigas. O Lula entrou com o projeto de urgência constitucional no dia 15 de abril. A Câmara tem 45 dias para votar, que é justamente o fim de maio, se não tranca a pauta”, apontou.
“O que nós queremos é acabar com a escala 6 por 1, com a redução da jornada para 40 horas, sem redução de salário. E sem nenhum tipo de postergação, que eles estão chamando de transição. E a sociedade tem que estar muito atenta no debate na Câmara e no Senado depois, porque a gente pode ganhar e não levar. ‘Ah, aprova 6 por 1 para valer daqui a 10 anos, para valer daqui a 5 anos’”, destacou o ministro.
“Bolsa Patrão”
Segundo Boulos, o governo não vai aceitar nem propostas de adiamento da implantação da nova escala, e nem de compensação de empresários por supostos custos com a mudança. “Nós temos um posicionamento de não aceitar um debate de transição, e muito menos o ‘bolsa patrão’ do Nikolas Ferreira”, ironizou, referindo-se à emenda proposta pelo deputado do PL mineiro.
De acordo com o ministro, Lula pediu urgência justamente para evitar a manobra do PL de Waldemar da Costa Neto e Flávio Bolsonaro, de postergar a votação ao máximo para empurrá-la para depois da eleição e enterrar a ideia.
“O projeto de urgência constitucional do Lula tem esse propósito: é agilizar, é inviabilizar aquela tática do Valdemar Costa Neto. Esse ‘sincericídio’ que ele falou para os empresários de que tinha que empurrar com a barriga: ‘vamos dar a vida para não votar antes da eleição. Porque se votar antes da eleição até os nossos, que são de direita e que são contra, vão ter que votar a favor’”, citou.
“Esse era o jogo. Ele mostrou ali qual era o jogo dele, do (Antonio) Rueda (presidente nacional do União Brasil), de todos eles, do (senador e presidente do PP) Ciro Nogueira (PI)”, disse Boulos.
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