O senador Sérgio Moro permaneceu sem se manifestar publicamente quase um dia após a divulgação de áudios que colocaram o nome de Flávio Bolsonaro no centro de uma nova crise envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”.
A ausência de posicionamento chamou atenção de aliados do campo bolsonarista, especialmente pela relação da trajetória política de Moro com investigações sobre conexões entre empresários e agentes públicos.
Até a noite da quarta-feira (13), o senador paranaense não havia publicado comentários nas redes sociais, nem participado de agendas públicas relacionadas ao caso.
Nos bastidores, parlamentares próximos ao PL passaram a atuar para conter o desgaste político provocado pelas gravações, tentando afastar a legenda das suspeitas levantadas após o vazamento do conteúdo.
Os áudios ampliaram a pressão sobre o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro ao revelarem conversas em que Flávio Bolsonaro demonstra preocupação com a continuidade financeira da produção cinematográfica.
Nas gravações, o senador pede apoio financeiro a Vorcaro para evitar a interrupção do projeto, que teria contratos internacionais em andamento e orçamento milionário.
Segundo o material divulgado, o montante mencionado nas conversas chega a R$ 142 milhões. Em um dos trechos, Flávio afirma que o atraso nos pagamentos poderia comprometer acordos com profissionais do cinema norte-americano envolvidos na produção.
O senador também relata temor de prejuízos à credibilidade do projeto caso compromissos deixassem de ser cumpridos na fase final do filme. O silêncio de Moro passou a ser interpretado por integrantes do próprio meio político como um movimento estratégico diante da repercussão nacional do caso.
Conhecido por utilizar frequentemente as redes sociais para comentar temas ligados à corrupção e à política, o ex-juiz ainda não indicou se pretende se pronunciar sobre o conteúdo das gravações ou sobre os desdobramentos da crise.
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