A proposta de acabar com a escala 6×1 voltou ao centro do debate nacional após uma nova pesquisa indicar amplo apoio da população à redução da jornada de trabalho no Brasil. Levantamento Genial/Quaest realizado entre os dias 8 e 11 de maio mostra que 68% dos brasileiros defendem o fim do modelo em que o trabalhador atua seis dias para descansar apenas um.
O estudo ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos em todas as regiões do país e aponta que o tema ganhou força no Congresso e também no cenário político.
A discussão ocorre enquanto uma comissão especial da Câmara dos Deputados prepara a apresentação de um relatório sobre a mudança nas regras trabalhistas. O texto, conduzido pelo deputado Leo Prates, deve propor alterações na Constituição para reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial. A proposta também prevê a adoção gradual da escala 5×2, garantindo dois dias de descanso remunerado por semana.
Apesar do apoio majoritário continuar elevado, o levantamento mostra mudanças no comportamento de alguns grupos políticos. Entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, houve queda no índice de apoio ao fim da escala 6×1 em comparação com o fim de 2025. Ainda assim, a maioria segue favorável à proposta. Entre eleitores de direita não alinhados ao bolsonarismo, os números permaneceram praticamente estáveis.
A pesquisa também revelou que o apoio diminui quando a redução da jornada é associada à possibilidade de queda nos salários. Nesse cenário, seis em cada dez entrevistados continuam apoiando a mudança, enquanto cresce o grupo contrário à proposta.
No Congresso, duas PECs concentram as discussões sobre o tema. Uma delas foi apresentada pela deputada Erika Hilton, em parceria com o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que popularizou o debate nas redes sociais. O objetivo das propostas é estabelecer limites menores para a carga horária semanal e ampliar o período de descanso dos trabalhadores brasileiros.
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