A Polícia Federal e o Ministério Público Federal realizaram, nesta quinta-feira (25), uma nova etapa das investigações sobre o rombo contábil da Americanas. Batizada de segunda fase da Operação Disclosure, a ação busca esclarecer a atuação de suspeitos envolvidos em um esquema que teria causado prejuízos estimados em R$ 54 bilhões e afetado o mercado financeiro.
Ao todo, foram expedidos nove mandados de busca e apreensão, cumpridos em endereços localizados nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Paralelamente às averiguações, a Justiça Federal determinou o bloqueio de bens e ativos dos investigados até o valor correspondente ao prejuízo calculado pelas autoridades.
O avanço da apuração foi possível após a análise de acordos de colaboração firmados por três ex-dirigentes da companhia, além do cruzamento de informações obtidas com a quebra de sigilo de dados da empresa e de depoimentos reunidos durante os últimos dois anos pelos órgãos responsáveis pela investigação.
Entre os investigados estão antigos integrantes da administração da varejista, conselheiros e representantes de grandes instituições financeiras. A lista inclui Carlos Alberto Sicupira, Paulo Alberto Lemann, Eduardo Saggioro, Sergio Rial, além de executivos ligados ao Itaú, Bradesco e Santander.
De acordo com a investigação, o grupo teria participado ou tido conhecimento de mecanismos utilizados para apresentar indicadores financeiros que não refletiam a realidade econômica da empresa. As suspeitas envolvem principalmente operações de risco sacado e registros relacionados à verba de propaganda cooperada que, segundo os investigadores, não possuíam respaldo econômico suficiente.
Para a Polícia Federal, as irregularidades tinham como principal finalidade influenciar a percepção do mercado sobre a saúde financeira da companhia, elevando a confiança dos investidores e interferindo na formação do preço das ações.
Embora essas práticas não alterassem diretamente o lucro líquido divulgado, elas poderiam modificar indicadores relevantes utilizados pelo mercado para avaliar o desempenho da empresa. As investigações apontam indícios dos crimes de manipulação do mercado de capitais e associação criminosa.
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