66% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no Brasil são negros, segundo dados apresentados pelo governo federal durante o lançamento da nova edição do Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, realizado na quinta-feira (25).
O índice reforça o impacto das desigualdades raciais sobre a exploração do trabalho infantil e orienta as novas ações previstas pela política pública, que terá vigência até 2035. A proposta estabelece diretrizes para reduzir o número de menores submetidos ao trabalho precoce, atuando sobre fatores estruturais que favorecem essa realidade.
Entre as novidades está a inclusão do ambiente digital como foco de monitoramento, diante do crescimento de atividades realizadas em plataformas e redes sociais que podem representar exploração econômica de crianças e adolescentes.
Durante a apresentação do plano, integrantes do governo ressaltaram que o enfrentamento ao problema passa pela adoção de políticas públicas capazes de combater a pobreza, a exclusão social e o racismo estrutural, apontados como fatores que ampliam a vulnerabilidade de parte da população infantil.
A estimativa oficial indica que aproximadamente 1,6 milhão de crianças e adolescentes ainda vivem em situação de trabalho infantil no país. Para enfrentar esse cenário, o plano prevê ações integradas de prevenção, fortalecimento da rede de proteção e articulação entre órgãos públicos e entidades da sociedade civil ao longo da próxima década.
O documento também atualiza o conceito de trabalho infantil para contemplar as transformações tecnológicas dos últimos anos, reconhecendo novas formas de exploração que podem comprometer o desenvolvimento físico, emocional, intelectual e social de crianças e adolescentes, além de restringir direitos como educação, lazer e convivência familiar.
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