Ao longo de 2025, intervenções realizadas por forças policiais provocaram 4.330 mortes em nove estados do país, sendo que a maior parte das vítimas era formada por pessoas negras e jovens. O total representa um crescimento de 6,4% em comparação com os registros contabilizados em 2024.
O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Rede de Observatórios da Segurança, ligada ao Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), reforça um padrão que, segundo os pesquisadores, permanece constante ao longo dos últimos anos.
O estudo foi elaborado com base em informações fornecidas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Os dados mostram que 3.104 das pessoas mortas em intervenções policiais eram pretas ou pardas, percentual que corresponde a 86,3% das ocorrências. O levantamento também aponta que 2.804 vítimas tinham no máximo 29 anos de idade, entre elas 310 crianças e adolescentes.
O estudo também indica que pessoas negras enfrentam risco significativamente maior de morrer em intervenções policiais. A média aponta uma probabilidade quatro vezes superior em relação à população branca, índice que sobe para 11 vezes em Pernambuco e seis vezes no Rio de Janeiro.
Na série histórica iniciada em 2019, Ceará, Maranhão, Pará e São Paulo atingiram, em 2025, os maiores patamares de mortes decorrentes de intervenções de agentes de segurança. Entre eles, o Maranhão foi o estado que registrou a variação mais acentuada em relação a 2024, com aumento de 86,8% no número de casos. Segundo o levantamento, a expansão de facções criminosas para o Norte e o Nordeste pode estar relacionada à escalada da violência em parte dessas regiões.
Na Bahia, embora o número de mortes tenha diminuído em relação ao pico registrado em 2023, houve apenas 19 dias sem registros de mortes decorrentes de ações policiais ao longo de todo o ano de 2025. Pernambuco também apresentou aumento de 30,8%, enquanto Rio de Janeiro, Pará e São Paulo registraram crescimento nos indicadores.
Enquanto o Amazonas encerrou o período com números praticamente inalterados em relação ao ano anterior, o Piauí se destacou por ser o único dos nove estados analisados a registrar queda nas ocorrências.
Os pesquisadores ainda apontam falhas no registro da raça e cor das vítimas em estados como Maranhão e Ceará, embora tenham observado melhora na qualidade dessas informações. Para o grupo responsável pelo estudo, o aperfeiçoamento dos dados revelou uma participação ainda maior de vítimas negras nas estatísticas, fortalecendo a avaliação de que o recorte racial é um elemento central para compreender a letalidade policial no país.
Em nota, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco informou que as ações das forças de segurança são conduzidas com base em protocolos técnicos, operacionais e legais. A pasta também afirmou que intervenções policiais não são determinadas por critérios relacionados à raça ou à cor da pele das pessoas envolvidas.
Já o governo do Rio de Janeiro destacou que os registros de mortes por intervenção policial apresentaram queda nos primeiros cinco meses de 2026 e atribuiu os confrontos à resistência de grupos criminosos. Os demais estados citados não enviaram posicionamento até a divulgação do levantamento.
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