Mensagens e áudios flagrados pela Polícia Federal revelam o controle direto e clandestino que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, exercia sobre o orçamento público na Câmara dos Deputados. Mesmo sem mandato, o dirigente utilizou uma rede informal de assessores para negociar e direcionar R$ 119,2 milhões em emendas, o que levou o ministro Flávio Dino, do STF, a determinar o bloqueio de seus bens e a suspensão dos pagamentos. A decisão do dia 6 foi divulgada nesta sexta-feira (10).
- Presidente do PL, Valdemar desviou R$ 119 milhões, diz PF: áudios complicam dirigente
- Valdemar, sobre sucessão de Michelle no PL: “sabe como é mulher”
- Sincericídio: Valdemar da Costa Neto diz que Flávio Bolsonaro foi visitar Vorcaro para cobrar o resto do dinheiro
As provas foram obtidas no celular de Mariângela Fialek, a “Tuca”, operadora do esquema capturada na “Operação Transparência”. Nos diálogos interceptados, o nível de controle de Valdemar sobre o dinheiro público fica claro.
O emissário de Valdemar, Garigham Amarante, cobrava os repasses para o chefe. Em agosto de 2025, ele mandou mensagens combinando um repasse de R$ 24 milhões: “Pode colocar o máximo que der. Ele tá querendo Turismos” e, no dia seguinte, pressionou: “Fechou o valor do Pres Valdemar?”.
Planilhas “VCN”
Servidores do partido controlavam o andamento técnico do esquema, separando os recursos em planilhas internas batizadas como “do Valdemar” ou simplesmente “VCN”. Os diálogos comprovam que Valdemar revisava e mandava alterar os destinos do dinheiro. Em uma das conversas, uma assessora avisa que o presidente do PL mandou trocar os municípios de uma lista de última hora porque as cidades escolhidas anteriormente “não iriam conseguir executar” as verbas.
Bookmark