Skip to content Skip to footer

Rombo de quase R$ 1 bilhão vem à tona após empréstimo milionário ao Amapá

(Foto: Agência Amapá/Reprodução)

O governo do Amapá reconheceu um déficit de quase R$ 1 bilhão nas contas estaduais pouco mais de um mês após contratar um financiamento de R$ 536 milhões com garantia da União, levantando dúvidas sobre a análise da situação fiscal do estado no momento da liberação do crédito. As informações são de reportagem da Folha de S.Paulo.

A operação foi autorizada pelo Ministério da Fazenda com aval do Tesouro Nacional, que assume os pagamentos caso o estado deixe de cumprir as parcelas do contrato. Na época da negociação, o Amapá possuía classificação A na avaliação de capacidade de pagamento, requisito necessário para obter esse tipo de garantia federal.

Segundo técnicos ouvidos pela reportagem, se os números posteriormente informados já estivessem disponíveis, o estado teria sido rebaixado para nota C, perdendo automaticamente o direito ao aval da União.

A divergência surgiu após o governo estadual, administrado por Clécio Luís (União Brasil), retificar os dados fiscais em maio, 44 dias depois da assinatura do empréstimo. A nova prestação de contas mostrou que, ao fim de 2025, havia apenas R$ 236,4 milhões de recursos livres em caixa diante de R$ 931,1 milhões em obrigações acumuladas. Considerando também compromissos assumidos no próprio exercício, o saldo negativo alcançaria R$ 964,8 milhões.

Antes da correção, entretanto, os registros enviados ao Tesouro indicavam um cenário completamente distinto. Conforme recuperado pela Folha, o estado informava possuir cerca de R$ 4,9 bilhões disponíveis em caixa, o que resultava em uma disponibilidade líquida positiva de aproximadamente R$ 3,96 bilhões. Foram esses números que embasaram a análise técnica da União.

Em nota, o Ministério da Fazenda afirmou que a contratação ocorreu de acordo com os critérios vigentes e ressaltou que eventuais mudanças na situação fiscal dos estados são acompanhadas posteriormente por mecanismos de monitoramento e contragarantias.

Já o governo do Amapá sustentou que a retificação decorreu apenas de um ajuste metodológico para adequação às regras do Tesouro, sem alteração da realidade financeira.

O secretário da Fazenda, Jesus Vidal, também negou dificuldades nas finanças estaduais e atribuiu a gestão do governador Clécio Luís ao processo de reorganização das contas públicas. Ainda assim, especialistas consultados pela reportagem avaliam que a expressiva diferença entre os dados originais e os retificados merece apuração.

Alguns defendem investigação sobre eventual irregularidade contábil e revisão extraordinária da nota de crédito do estado, enquanto o Tesouro ainda não informou se pretende reavaliar a classificação fiscal do Amapá.

Bookmark

Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

Mais Matérias

20 jul 2026

A “uberização” do trabalho é um mundo sem volta, diz Eduardo Reiner

Auditor há quase 20 anos, curitibano diz que para que os jovens e trabalhadores hiper-explorados se identifiquem como categoria, é necessário um novo diálogo

Governo Lula leva Brasil a alcançar o menor índice de fome de toda a história

Relatório da ONU indica que a insegurança alimentar severa caiu para 0,6% entre 2023 e 2025; país segue fora do Mapa da Fome
22 jul 2026

PT lança movimento nacional para “rejuvenescer” bancada na Câmara

Grupo reúne pré-candidaturas a deputado e deputada federal, todos com até 35 anos
22 jul 2026

Escravidão: idosa de 69 anos é resgatada no RJ após trabalhar sem salário por 52 anos

Mulher nunca teve carteira de trabalho assinada, não possuía plano de saúde e não concluiu os estudos
22 jul 2026

Operação revela suposta ligação entre “banco do PCC” e coronéis da PM

Investigação do Ministério Público mostra contatos, encontros sociais e ofertas de auxílio entre operadores financeiros do PCC e oficiais de alta patente

Reparação histórica: Marinha é condenada a indenizar filho de líder da Revolta da Chibata

Movimento foi uma rebelião de marinheiros no Rio de Janeiro contra os castigos corporais na Marinha

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário