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Brasil ganhou 8,2 milhões de domicílios unipessoais desde 2012

O brasileiro está vivendo em domicílios com cada vez menos moradores e redefinindo a forma de morar — seja pela busca de independência, seja pela necessidade de adequar a moradia ao orçamento. É o que revelam os novos dados do IBGE divulgados este ano: em 2025, o Brasil chegou a 15,6 milhões de domicílios ocupados por apenas uma pessoa, o equivalente a 19,7% dos lares do país. Em 2012, eram 7,4 milhões, ou 12,2%.

O crescimento dos domicílios unipessoais acompanha uma transformação social e demográfica que envolve o envelhecimento da população, a queda da fecundidade, o aumento da escolaridade e mudanças nos arranjos familiares.

Na prática, os lares brasileiros também estão menores. A média de moradores por domicílio caiu de 3,76 pessoas em 2000 para 2,79 em 2022, segundo o Censo. Em 2025, chegou a 2,7 moradores.

Essa mudança também acontece em um cenário de pressão sobre a renda e os custos de moradia. O rendimento domiciliar per capita no país fechou 2025 em R$ 2.316. No mesmo período, o número de domicílios alugados cresceu 54,1% entre 2016 e 2025, passando de 11,6 milhões para 17,8 milhões.

Os próprios preços dos aluguéis também pressionaram os orçamentos. O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), da Fundação Getulio Vargas (FGV), encerrou 2025 com alta acumulada de 8,85%. Em julho de 2026, os aluguéis subiram 0,66% no mês e acumulavam alta de 5,08% em 12 meses, com aumento nas quatro capitais pesquisadas pelo índice.

Nesse cenário, o mercado imobiliário também passa a ampliar a oferta de imóveis compactos, atendendo tanto quem busca espaços menores quanto quem precisa adequar a moradia ao orçamento.

A mudança expõe um duplo diagnóstico da sociedade atual. Se para uma parte dos brasileiros viver só é sinônimo de emancipação, para outra representa a adequação forçada dos sonhos de moradia ao tamanho do bolso.

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