Inflação no terceiro governo Lula é a menor de um mandato desde o Plano Real
A inflação acumulada no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a 17,9% entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa a menor alta registrada por um governo brasileiro às vésperas de uma eleição presidencial desde a criação do Plano Real, em julho de 1994.
O levantamento considera a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde janeiro do primeiro ano de mandato até agosto do quarto ano. A inflação de setembro não entrou na comparação porque será conhecida somente em 9 de outubro, cinco dias após o primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4.
Até agora, o melhor desempenho nesse recorte pertencia ao segundo mandato de Lula, quando o IPCA acumulou 19% entre janeiro de 2007 e agosto de 2010. O índice atual ficou 1,1 ponto percentual abaixo daquele período.
No governo de Jair Bolsonaro (PL), a inflação acumulada até agosto do último ano de mandato alcançou 25,3%. A taxa havia sido de 24,6% durante o período iniciado por Dilma Rousseff (PT) em 2015 e concluído por Michel Temer (MDB) em 2018.
O primeiro mandato de Dilma registrou alta de 24,2%, enquanto a primeira passagem de Lula pela Presidência acumulou 26,5%. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) enfrentou os maiores índices da série, com 43,5% no primeiro governo e 30,3% no segundo.
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A inflação menor durante a atual gestão ocorreu em um cenário de juros elevados, utilizados pelo Banco Central para reduzir o consumo e conter a pressão sobre os preços. Essa estratégia também encarece o crédito e pode limitar investimentos e o crescimento da economia.
Em agosto, o país registrou deflação de 0,32%, influenciada pelo bônus de Itaipu e pela redução dos preços de alimentos e transportes. Entre os itens que ficaram mais baratos estão batata-inglesa, cenoura, cebola, tomate, ovos de galinha e café moído.
Na direção contrária, alguns produtos continuaram pressionando o orçamento doméstico. O leite longa vida avançou 1,78%, as frutas subiram 0,84% e as carnes tiveram aumento de 0,61% no mês.
Mesmo com inflação mais controlada e resultados positivos no mercado de trabalho, o endividamento permanece como um problema para milhões de brasileiros. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostram que 82% das famílias tinham dívidas a vencer em agosto, o maior percentual já registrado.
O cenário econômico terá peso na disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário nas pesquisas eleitorais. A alta acumulada dos preços e o comprometimento da renda familiar podem influenciar a percepção dos eleitores, apesar do desempenho histórico do IPCA.
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