Festival Brésils en Mouvement: 22ª edição
A 22ª edição do Brésils en Mouvement, festival dedicado ao cinema brasileiro em Paris, terminou com sala lotada e cerca de 250 pessoas acompanhando a programação. Realizado entre os dias 17 e 19 de setembro, o evento apresentou filmes, debates e encontros sobre diferentes aspectos da realidade brasileira.
Organizado pela Autres Brésils, o festival é realizado desde 2003 e se tornou uma referência europeia na exibição de documentários brasileiros engajados. A proposta é apresentar ao público francês um Brasil que vai além dos estereótipos e das informações parciais que costumam circular sobre o país.

Durante três dias, o público acompanhou documentários e ficções documentais que, em muitos casos, só podem ser vistos na França por meio do próprio festival. As sessões foram acompanhadas de debates com cineastas, pesquisadores e representantes da sociedade civil do Brasil e da França.
A abertura ficou por conta de Yanuni, dirigido por Richard Ladkani e coproduzido por Leonardo DiCaprio e pela chef indígena Juma Xipaia. O filme apresenta, em uma ficção romanceada, a luta dos povos indígenas pela proteção da Amazônia e pela defesa dos direitos dos povos originários. A produção já recebeu mais de 20 prêmios internacionais, incluindo o Grand Teton Award, do Jackson Wild Media Awards.
A programação passou por temas como democracia, justiça social, meio ambiente, direitos das mulheres, reforma agrária e violência policial.
Entre os destaques esteve Pas de soleil ici, sobre trabalhadoras domésticas que enfrentam uma realidade de luta cotidiana e buscam construir um futuro diferente para suas filhas. A sessão contou com debate com a diretora Karol Maia e Nellma Barretto, fundadora da Femmes de la Résistance.

No sábado, o festival também promoveu o debate “Eleições 2026: a democracia brasileira em suspenso?”, com o pesquisador Thomás Zicman de Barros e Ana Aranha, diretora de Pau d’Arco. O filme, exibido na sequência, aborda a luta de camponeses brasileiros pela reforma agrária após um massacre.
A programação terminou com Rio continue d’être belle, que acompanha Ilma durante o Carnaval do Rio enquanto ela escreve para o filho, vítima da violência policial. A sessão também contou com debate com o diretor Felipe Casanova.
Com sala lotada e cerca de 250 pessoas presentes, a 22ª edição reforçou a proposta que acompanha o Brésils en Mouvement há mais de duas décadas: criar, em Paris, um espaço para que diferentes Brasis possam ser vistos, discutidos e compreendidos por meio do cinema.
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