Após mais de 1 milhão de mudas plantadas, área de conservação do Paraná ganha torre para observar a biodiversidade da Mata Atlântica
Mais de 1 milhão de mudas plantadas, cerca de 1.500 hectares em processo de restauração ecológica e mais de duas décadas de trabalho de recuperação da paisagem natural. Agora, parte dessa história pode ser conhecida de uma nova perspectiva.
A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) inaugurou nesta terça-feira (25), na Reserva Natural Guaricica, em Antonina, no litoral do Paraná, a nova Torre de Observação de Aves da Experiência Guaricica.
Com 13 metros de altura e duas plataformas de observação, a estrutura amplia as possibilidades de contato dos visitantes com a reserva e cria um ponto privilegiado para contemplação da paisagem e observação da biodiversidade, especialmente da avifauna da região.
A Reserva Natural Guaricica integra as três Reservas Naturais mantidas pela SPVS, que somam cerca de 19 mil hectares de Mata Atlântica protegida. Ao longo da trajetória de conservação dessas áreas, cerca de 1.500 hectares passaram por processos de restauração ecológica, com o plantio de mais de 1 milhão de mudas e a utilização de mais de 80 espécies nativas. Em determinados períodos, a produção chegou a cerca de 200 mil mudas por ano.
“Quem visita a Reserva hoje encontra uma paisagem que é resultado de mais de duas décadas de trabalho contínuo de proteção e recuperação. A torre permite olhar para essa área natural de uma perspectiva que antes o visitante não tinha e observar mais de perto sua biodiversidade, especialmente as aves. É muito significativo chegar a este momento em que, além de cuidar e recuperar a área, podemos receber as pessoas e compartilhar com elas o resultado desse trabalho”, afirma Reginaldo Ferreira, coordenador das Reservas Naturais da SPVS.

Mais de 20 anos de recuperação e uma nova experiência
A torre passa a integrar a Experiência Guaricica, iniciativa de uso público que busca aproximar os visitantes da Mata Atlântica. A proposta é permitir que os resultados de mais de duas décadas de recuperação e conservação sejam conhecidos não apenas por meio de números, mas pela vivência direta no território.
Com capacidade simultânea para até dez pessoas — cinco no topo e cinco na plataforma intermediária —, a estrutura foi concebida para contemplação da paisagem e observação de aves, além de ampliar as possibilidades de fotografia de natureza e conhecimento sobre a biodiversidade local.
A inauguração contou com Café da Manhã Caiçara, apresentação institucional da SPVS, caminhada interpretativa guiada até a torre, uma trilha leve com os participantes e cerimônia simbólica de lançamento. A programação também proporcionou aos convidados momentos de observação da natureza e troca de experiências.
O evento foi marcado, ainda, por um reconhecimento institucional ao trabalho desenvolvido nas áreas naturais. A SPVS recebeu a homenagem de Mérito Ambiental, concedida pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável e pelo Instituto Água e Terra (IAT) pela relevância dos serviços ambientais prestados à biodiversidade. A homenagem foi entregue durante o encontro pela bióloga Amanda Scheffer Beltramin, do IAT.
Conservação que também gera ciência e benefícios
As Reservas Naturais da SPVS também se consolidaram como espaços de produção de conhecimento. Pesquisas realizadas nessas áreas já estão relacionadas a 118 publicações científicas e 250 trabalhos de graduação, mestrado e doutorado, envolvendo 17 instituições de ensino nacionais e estrangeiras.
As áreas mantêm cerca de 1,5 milhão de toneladas de carbono estocadas, proporcionam serviços ecossistêmicos, contribuem para a geração de ICMS Ecológico para Antonina e Guaraqueçaba e geram oportunidades para as comunidades locais. As ações desenvolvidas ao longo dos projetos também contribuíram para a geração de mais de três milhões de Créditos LIFE de Biodiversidade e para a remoção de mais de 980 mil toneladas de carbono da atmosfera desde o início dos projetos.
“Essas áreas armazenam carbono, prestam serviços ecossistêmicos, geram conhecimento científico e contribuem com recursos para os municípios do entorno. A torre acrescenta uma dimensão importante a esse trabalho, porque permite que as pessoas conheçam essa história e percebam, na prática, o valor de manter a Mata Atlântica conservada”, afirma Clóvis Borges, diretor-executivo da SPVS.

Turismo de natureza como aliado da conservação
A Experiência Guaricica também busca associar a conservação ao desenvolvimento territorial. O turismo de natureza amplia a valorização da biodiversidade e pode movimentar uma cadeia ligada a hospedagem, alimentação, transporte, guias e outros serviços locais.
A Reserva Natural Guaricica está inserida no território da Grande Reserva Mata Atlântica.
Serviço – Experiência Guaricica:
A visita à Torre de Observação de Aves ocorre mediante agendamento. A estrutura tem 13 metros de altura e capacidade simultânea para até dez visitantes. Informações e agendamentos estão disponíveis no site da SPVS.

Sobre a SPVS
Fundada em 1984, a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) é uma das mais relevantes organizações conservacionistas do Brasil, com foco na conservação da Mata Atlântica. Atua com inovação, base técnica sólida e visão restaurativa do desenvolvimento, valorizando a natureza como ativo estratégico para o bem-estar humano e para a adequada gestão territorial.
www.spvs.org.br
Sobre a Grande Reserva Mata Atlântica
A Grande Reserva Mata Atlântica é uma iniciativa que reúne diversos atores para desenvolver ações de turismo sustentável na maior área contínua de Mata Atlântica do mundo, com cerca de 3 milhões de hectares conservados entre São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Reconhecida nacional e internacionalmente, promove o ecoturismo responsável, integrando patrimônio natural, cultural e histórico, e reforça o papel da conservação como base para o desenvolvimento do território. Os participantes compartilham a convicção que a preservação e a conservação da natureza são fundamentais para o equilíbrio do planeta e para as gerações futuras, e que o turismo pode ser uma atividade econômica positiva desde que realizada de forma responsável e sustentável.
Escrito por Claudia Guadagnin, assessora de imprensa da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e da Grande Reserva Mata Atlântica.
claudia@spvs.org.br/41. 99803-4948.
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