Apostas em bets ilegais já atingem 25 milhões de pessoas, revela governo
Cerca de 25,2 milhões de brasileiros realizam apostas em plataformas ilegais de jogos on-line, segundo dados divulgados pelo governo federal na sexta-feira (19). O levantamento, apresentado pelos ministérios da Fazenda e da Justiça, serviu de base para um novo pacote de medidas voltado ao combate desse mercado clandestino, que movimenta bilhões de reais e preocupa autoridades pelos impactos econômicos e sociais provocados no país.
As informações apontam que uma parcela significativa desses apostadores acessa os sites de forma recorrente. Aproximadamente um em cada quatro usuários aposta diariamente, enquanto mais da metade participa de jogos ao menos uma vez por semana. Para o governo, os números demonstram a consolidação das plataformas irregulares entre parte da população e reforçam a necessidade de ampliar a fiscalização.
O estudo também estimou que os prejuízos relacionados às apostas chegam a R$ 38,8 bilhões por ano. O cálculo considera perdas financeiras, redução da capacidade de consumo das famílias e efeitos associados à saúde física e mental dos usuários. A avaliação oficial indica que a maior parte dos impactos está ligada a danos sofridos pelos próprios apostadores.
Outro dado que chamou a atenção das autoridades é o perfil predominante dos usuários dessas plataformas. A maioria é formada por jovens entre 18 e 29 anos. Além disso, grande parte pertence a famílias com renda de até dois salários mínimos, grupo considerado mais vulnerável aos efeitos do endividamento e da dependência em jogos.
Como parte das medidas anunciadas nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou um decreto que permite o bloqueio de recursos financeiros ligados à operação de plataformas de apostas irregulares. De acordo com o governo federal, os valores eventualmente confiscados serão direcionados ao Fundo Nacional de Segurança Pública para reforçar ações na área.
A estratégia adotada pelo governo busca enfraquecer financeiramente os operadores clandestinos, com medidas que incluem o bloqueio de ativos e a possibilidade de apreensão de bens ligados à exploração irregular do setor.
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