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Cachês milionários fazem prefeituras do Nordeste cancelarem Carnaval

O encarecimento acelerado dos cachês artísticos tem provocado um efeito dominó nas administrações municipais do Nordeste, especialmente às vésperas do Carnaval e do ciclo de festas juninas. Prefeitos de cidades pequenas e médias passaram a discutir uma reação conjunta diante de valores considerados incompatíveis com a realidade fiscal local, cenário que já resultou no cancelamento ou enxugamento de programações tradicionais.

No Ceará, municípios como Tauá, Caucaia e Jaguaretama decidiram suspender o Carnaval. Em Massapê, a prefeitura optou por reduzir drasticamente o evento, concentrando a programação em apenas um dia.

A avaliação entre gestores é de que os preços praticados por artistas e bandas cresceram em ritmo muito superior à inflação e às receitas municipais, pressionando orçamentos já fragilizados.

Segundo a Associação dos Municípios do Ceará, há casos em que o valor de um mesmo show mais que dobrou de um ano para o outro, tornando inviável a contratação. A entidade aponta que a ampliação do uso de recursos federais para financiar eventos, incluindo verbas oriundas de ministérios e emendas parlamentares, contribuiu para inflar o mercado.

Com mais cidades disputando as mesmas atrações e contratos firmados sem licitação, os cachês passaram a seguir a lógica da escassez, não da capacidade de pagamento dos municípios.

A preocupação não se restringe ao Ceará. No Rio Grande do Norte, Paraú cancelou a folia para direcionar recursos ao enfrentamento da seca, decisão semelhante à tomada por Santa Luzia, na Paraíba.

Na Bahia, uma comissão de prefeitos discutiu o tema com o Ministério Público estadual e firmou um termo de ajustamento de conduta para definir parâmetros de gastos no São João, buscando dar transparência e frear aumentos considerados desproporcionais.

Reuniões semelhantes também ocorreram na Paraíba, com a participação do Tribunal de Contas do Estado. A avaliação compartilhada entre as associações municipalistas é de que, sem coordenação regional, o aumento dos cachês tende a se espalhar entre estados, aprofundando a crise.

Dessa maneira, prefeitos já projetam 2026 como um ano de maior restrição fiscal, o que reforça a pressão por critérios mais rígidos na contratação de shows e pela priorização de despesas essenciais.

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