Caso Orelha: MP acusa ex-delegado-geral de usar repercussão para promoção pessoal
O Ministério Público de Santa Catarina pediu à Justiça a aplicação de uma multa de R$ 795 mil contra o ex-delegado-geral da Polícia Civil Ulisses Gabriel por suposta improbidade administrativa durante a repercussão do caso do cão Orelha.
A Promotoria sustenta que ele teria aproveitado a visibilidade proporcionada pelo cargo e pela investigação para fortalecer a própria imagem, antes de deixar o comando da corporação, em 2 de março, e entrar na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa pelo PL.
A manifestação apresentada em 25 de agosto aponta que Ulisses publicou mais de 40 conteúdos relacionados ao episódio em suas redes sociais e conquistou aproximadamente 75 mil seguidores no período. Em comparação, os canais oficiais da Polícia Civil fizeram sete publicações sobre o caso.
Para o Ministério Público, parte da comunicação adotada pelo então delegado-geral extrapolou o caráter institucional e passou a incorporar posicionamentos políticos, além de bordões posteriormente utilizados em sua campanha eleitoral. Entre as expressões destacadas estão “aqui o bambu ronca” e “pau que bate em Chico, bate em Francisco”.
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A ação pede multa equivalente a 24 vezes a remuneração mensal recebida por Ulisses no cargo, além de R$ 200 mil por dano moral coletivo. O processo tramita sob sigilo na 1ª Vara da Fazenda Pública de Florianópolis e ainda não há prazo para a análise dos pedidos.
A apuração sobre a atuação do ex-delegado-geral começou em fevereiro e resultou na abertura de um inquérito em 13 de março, após sua saída do comando da Polícia Civil. A ação civil pública foi apresentada em abril pela Promotoria responsável pelo controle externo da atividade policial.
As suspeitas de abuso de autoridade e violação de sigilo que inicialmente integravam o caso foram afastadas pela Justiça. Já a investigação sobre a morte de Orelha foi arquivada em maio, após não serem encontradas provas suficientes de agressão como causa da morte nem do envolvimento de adolescentes em um possível ataque.
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