Com dívida de R$ 17,3 bilhões, Casas Bahia pede recuperação judicial
No domingo (16), o Grupo Casas Bahia protocolou, em São Paulo, um pedido para iniciar seu processo de recuperação judicial. Com passivo declarado de R$ 17,3 bilhões, a varejista procura preservar o funcionamento das lojas e ganhar tempo para negociar uma saída com fornecedores, instituições financeiras, trabalhadores e demais credores.
A ação tramita na 2ª Vara especializada em falências e recuperações judiciais da capital paulista e reúne dez companhias ligadas ao grupo. A relação abrange negócios ligados às bandeiras Casas Bahia e Ponto Frio, ao site Extra.com, à fabricante Bartira e às áreas de tecnologia e distribuição da holding.
A maior parcela da dívida, de R$ 16,4 bilhões, não possui garantia de pagamento. Os valores apresentados também incluem débitos de R$ 754 milhões com trabalhadores e de R$ 154 milhões com negócios de menor porte.
Como parte da reorganização, o grupo comunicou a dispensa de cerca de 3 mil funcionários, de um quadro superior a 30 mil pessoas. A companhia também pretende encerrar quase 300 estabelecimentos. A rede informou possuir uma estrutura física composta por mais de 700 endereços da Casas Bahia, além de outras 65 lojas que funcionam sob a bandeira Ponto Frio.
A empresa relaciona o desequilíbrio à expansão promovida a partir de 2019, quando destinou recursos elevados à modernização tecnológica, ao comércio eletrônico e à estrutura logística. A estratégia foi atingida pelo fechamento temporário de lojas durante a pandemia e, posteriormente, pelo avanço dos juros e da inflação.
Esse ambiente encareceu o dinheiro necessário para financiar mercadorias e sustentar as vendas parceladas. Ao mesmo tempo, a perda de renda dos consumidores elevou a inadimplência, enquanto plataformas digitais ampliaram a disputa pelo mercado.
Para proteger o caixa, a Casas Bahia quer interromper cobranças judiciais por 180 dias e evitar que credores antecipem obrigações superiores a R$ 10 bilhões. A varejista também tenta impedir bloqueios sobre receitas de Pix e cartões.
A iniciativa foi apresentada à Justiça no mesmo dia em que a varejista informou resultado negativo de R$ 10,1 bilhões no trimestre. Tendo a Mapa Capital como principal acionista de referência, o grupo acumula prejuízos há oito balanços seguidos, enquanto suas obrigações já superam seus ativos em R$ 8,1 bilhões.
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