Delegado do RJ aponta vínculos históricos de Flávio com milicianos
O senador Flávio Bolsonaro acumula episódios de proximidade política com integrantes de milícias no Rio de Janeiro. Em 2003, apresentou uma moção de louvor ao ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega e, em 2005, concedeu a ele a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Anos depois, o Ministério Público apontou Adriano como chefe de uma milícia e do grupo de matadores de aluguel conhecido como Escritório do Crime. A mãe e a então esposa de Adriano também trabalharam no gabinete de Flávio.
O delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Vinícius George, que participou da CPI das Milícias na Alerj, afirma que os grupos milicianos historicamente mantiveram relações com agentes das forças de segurança e com a política. Segundo ele, essas organizações são controladas por integrantes das próprias instituições estatais, incluindo policiais civis e militares e membros das Forças Armadas.
Vinícius explica que as milícias cariocas não atuam às escondidas. A exposição da violência, incluindo assassinatos e cadáveres deixados à vista, funcionam como instrumento de intimidação e controle da população. Os grupos também se apropriam de atividades públicas e privadas nos territórios dominados.
O delegado aponta ainda que a atuação desses agentes ultrapassa a violência armada e alcançava a política, com práticas como controle coercitivo de eleitores, formação de currais eleitorais, financiamento ilegal de campanhas e assassinatos por encomenda política.
As relações políticas de Flávio com pessoas ligadas a esses grupos incluem outros homenagens e benefícios concedidos. Em 2004, ele propôs uma moção de louvor ao então policial militar Ronald Paulo Alves Pereira, posteriormente condenado por participação no assassinato de Marielle Franco. Já o coronel Cláudio Oliveira foi condenado por envolvimento no assassinato da juíza Patrícia Acioli.
Adriano da Nóbrega, por sua vez, teve uma trajetória que passou pela Polícia Militar e por relações com integrantes do jogo do bicho, antes de ser apontado como chefe do Escritório do Crime. O grupo é associado a assassinatos por encomenda e a outras atividades criminosas no Rio.
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