Derrotado em Portugal, líder da ultradireita vence entre eleitores no Brasil
Apesar da derrota expressiva nas urnas portuguesas, o líder da ultradireita, André Ventura, encontrou no Brasil um resultado simbólico que destoou do desfecho geral da eleição presidencial. Enquanto em Portugal a diferença para o vencedor foi superior a trinta pontos percentuais, entre eleitores residentes no Brasil e brasileiros com dupla cidadania o cenário foi inverso.
Ventura terminou como o mais votado nesse recorte específico do eleitorado, superando o presidente eleito, António José Seguro. No total, foram pouco mais de quatro mil votos registrados em favor do candidato da legenda Chega em território brasileiro, número suficiente para garantir maioria entre os votantes locais, ainda que irrelevante para o resultado nacional da disputa presidencial.
O desempenho no Brasil não foi um fato isolado. Nas eleições parlamentares do ano anterior, o Chega já havia liderado a votação entre eleitores no país, desempenho que teve peso político maior naquele contexto.
O resultado no exterior ajudou a consolidar a sigla como a principal força de oposição no Parlamento português, ultrapassando o Partido Socialista na composição final da Assembleia da República.
Ainda assim, os números absolutos da votação presidencial no Brasil revelam um alcance limitado. Dos mais de 300 mil eleitores aptos a votar no país, pouco mais de sete mil compareceram às urnas, o que representa uma participação inferior a 3%. Em um universo eleitoral de quase 11 milhões de cidadãos portugueses, o impacto desses votos é praticamente nulo na definição do vencedor.
Geograficamente, Ventura teve melhor desempenho proporcional em Belém, onde concentrou sua maior taxa de apoio. Em termos absolutos, apenas São Paulo registrou mais de mil votos a seu favor. O candidato derrotado venceu em apenas um consulado brasileiro, o de Porto Alegre.
Mesmo onde a vantagem percentual foi elevada, os números mostram um fenômeno restrito. Em Fortaleza, por exemplo, a votação expressiva em termos proporcionais se traduziu em pouco mais de uma centena de votos, evidenciando que, embora politicamente simbólico, o apoio obtido no Brasil tem peso mais narrativo do que decisivo no cenário eleitoral português.
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