Faltando pouco mais de dois meses para o primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentram esforços em um grupo que ainda não definiu seu voto.
De acordo com reportagem da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, baseada em um recorte exclusivo da pesquisa Genial/Quaest, esse segmento representa 11% do eleitorado e reúne características que podem influenciar o desfecho da corrida ao Palácio do Planalto.
Os dados mostram que a maior parte dos indecisos é formada por mulheres. Também predominam eleitores residentes na Região Sudeste, católicos, com renda entre dois e cinco salários mínimos e que não demonstram alinhamento fixo com a direita ou a esquerda.
Para o cientista político e CEO da Quaest, Felipe Nunes, esse perfil reflete um eleitor mais pragmático, preocupado com questões do cotidiano e que ainda não encontrou um candidato capaz de atender às suas expectativas.
O levantamento foi divulgado dias após a Genial/Quaest registrar vantagem de 12 pontos percentuais de Lula sobre Flávio Bolsonaro no cenário de primeiro turno. Mesmo assim, a quantidade de eleitores sem decisão definitiva mantém aberta uma importante frente de disputa para as campanhas.
Outro aspecto destacado pela pesquisa é o peso da independência política entre os indecisos. Mais da metade deles afirma não se identificar automaticamente com nenhum dos principais campos ideológicos do país. Há ainda grupos menores que se declaram de direita sem ligação com o bolsonarismo ou de esquerda sem identificação com o lulismo, indicando espaço para candidaturas que tentam se apresentar como alternativa à polarização.
A concentração geográfica também chama atenção. Mais da metade dos eleitores que ainda não escolheram um candidato vive no Sudeste, região que reúne os maiores colégios eleitorais brasileiros. Nordeste, Sul e Centro-Oeste aparecem na sequência, com participações semelhantes nesse universo.
Na divisão por idade, os indecisos estão distribuídos principalmente entre jovens de 16 a 34 anos e adultos de 35 a 59 anos. Já os eleitores com 60 anos ou mais representam a menor parcela desse grupo.
A pesquisa também revela dificuldades para os dois principais concorrentes. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro registram índices de rejeição mais elevados entre quem ainda não definiu o voto do que entre o eleitorado que já fez sua escolha. Em sentido oposto, nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema apresentam rejeição relativamente menor nesse segmento, o que pode ampliar o espaço para discursos de terceira via durante a campanha.
Outro indicador observado é a avaliação do governo federal. A aprovação da administração Lula é inferior entre os indecisos quando comparada ao restante dos entrevistados, enquanto a desaprovação permanece em patamar semelhante. Também é significativamente maior o número de pessoas desse grupo que afirmam não ter opinião formada sobre o desempenho do governo.
A pesquisa Genial/Quaest entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho. O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026.
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