Insegurança nas ruas já fez 54% das mulheres recusarem compromissos de trabalho
Quatro em cada dez mulheres ouvidas em uma pesquisa no Brasil já desistiram de uma vaga de emprego ou de outra oportunidade profissional por dificuldades para chegar ao destino. Divulgado em 2026, o levantamento O Direito de Ir, Vir e Viver aponta que a insegurança, o custo das viagens e as condições de transporte restringem escolhas de trabalho, estudo e lazer.
Entre as 564 entrevistadas, 39% disseram ter perdido ou recusado uma oportunidade profissional por causa do deslocamento. Mais da metade, 54%, deixou de comparecer a um compromisso de trabalho ou recusou um convite, enquanto 21% desistiram de alguma formação, inclusive de cursos superiores.
A violência foi o obstáculo mais citado, mencionado por 32% das participantes, seguida da falta de dinheiro, com 22%. A precariedade do transporte público apareceu em 15% das respostas, e a distância até os destinos, em 14%.
O receio de sofrer violência muda a maneira como essas mulheres circulam pela cidade. Segundo a pesquisa, 87% evitam determinados bairros, 73% escolhem os horários de saída, 63% já deixaram de usar algum meio de transporte e 60% alteraram o caminho planejado.
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O assédio sexual também pesa nessas decisões, com 89% das entrevistadas relatando alguma ocorrência durante seus deslocamentos. Os relatos foram mais frequentes em ônibus, citados por 68,8%, em trajetos a pé, por 60,8%, e em trens ou metrôs, por 50,2%.
As restrições vão além do emprego e da educação. Oito em cada dez mulheres deixaram de participar de encontros ou atividades, e 69% já abriram mão de sair à noite por dificuldades ligadas à mobilidade.
A rotina de cuidados acrescenta paradas e tarefas aos trajetos de muitas entrevistadas. Para 44%, a responsabilidade por filhos, idosos ou outras pessoas influencia a escolha do transporte, mostrando como uma viagem difícil pode fechar várias portas no mesmo dia.
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