Julgamento expõe racha nas estratégias de defesas
O Supremo Tribunal Federal retomou nesta quarta-feira (3) o julgamento que coloca Jair Bolsonaro e aliados no centro da acusação de tentativa de golpe de Estado. A sessão foi dedicada às sustentações orais das defesas, num rito marcado pela exposição das estratégias de cada réu diante das imputações da Procuradoria-Geral da República.
Mais do que um bloco coeso de contestação, o que se viu foi um mosaico de narrativas em disputa. Enquanto uns negaram a existência de qualquer plano de ruptura, outros admitiram que houve intenção golpista, mas insistiram que seus clientes atuaram para impedir ou se afastar da trama. O resultado foi uma audiência marcada por divergências de argumentos, contradições sobre a validade da delação de Mauro Cid e acusações de cerceamento processual, revelando mais choques entre advogados do que convergência em torno de uma estratégia comum.
- Defesa de ex-ministro confirma que Bolsonaro planejava golpe
- STF já tem maioria para barrar anistia a Bolsonaro pleiteada pela extrema-direita, dizem ministros
- Com apoio de Moro, Senado aprova projeto que enfraquece lei da Ficha Limpa
A principal contradição do dia emergiu entre a linha das defesas de Jair Bolsonaro, Walter Braga Netto e Augusto Heleno — que negaram de forma categórica a existência de qualquer plano de ruptura institucional — e a narrativa do general Paulo Sérgio Nogueira. Seu advogado afirmou que o ex-ministro da Defesa não apenas se afastou de qualquer articulação golpista, mas atuou para demover Bolsonaro de medidas de exceção. Essa divergência quebrou a fachada de unidade entre os réus militares, revelando estratégias de sobrevivência distintas diante das provas acumuladas.
A divisão ficou ainda mais nítida quando comparada às sustentações da véspera, em que algumas defesas admitiram a existência de um ambiente de conspiração no entorno do Planalto, mas alegaram que seus clientes se mantiveram à margem. De um lado, Bolsonaro e seus generais mais próximos insistem na negação absoluta; de outro, a defesa de Nogueira aposta em reconhecer o risco de ruptura para projetar o cliente como barreira institucional.
No pano de fundo dessas divergências, a delação de Mauro Cid segue como ponto de atrito: para uns, ilegal e marcada por contradições; para outros, um indício de que havia um plano em gestação. O saldo da sessão, porém, foi menos sobre as falas do delator e mais sobre a fragmentação da narrativa defensiva, que deixa claro que cada réu tenta agora salvar a própria pele.
BookmarkContinue lendo
Clubes divulgam comunicado contra o fim das BETs
Oito clubes da Série A do Campeonato Brasileiro divulgaram, na quinta-feira (17), um manifesto conjunto em defesa das casas de apostas e contra uma possível mudança...
Datafolha em 2º turno: Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro marca 44%
Na quinta-feira (17), o instituto Datafolha divulgou sua mais nova pesquisa com os números da corrida eleitoral pela Presidência da República. O levantamento foi encomendado pela...
Bolsa Família terá novo piso de R$ 691 a partir de outubro
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17), no Palácio do Planalto, um reajuste de 15% no Bolsa Família, elevando o valor mínimo mensal de R$ 600...
Veneno nos rios: mercúrio ameaça quase mil comunidades na Amazônia
Ao menos 951 comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia estão contaminadas por mercúrio ou vivem sob risco de exposição no Brasil, na Bolívia e no Peru....
“Desvinculados”: um terço dos eleitores brasileiros “desistiu” de votar por cansaço e desânimo, revela estudo; maioria é de jovens
Pesquisa Termômetro do Bem Viver, realizada por um projeto da Plataforma Avaaz em parceria com o Datafolha, divulgada esta semana revela que praticamente um terço do...
Você viu todas as matérias.
Não foi possível carregar. Toque para tentar de novo.





