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Kataguiri ecoa outros políticos da direita e diz que Flávio não faria impeachment no STF por ter rabo preso

O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) afirmou que Flávio Bolsonaro (PL), caso seja eleito presidente, não teria disposição para levar adiante pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes, por ter “rabo preso”. Em entrevista ao programa Alt Tabet, do Canal UOL, o parlamentar relacionou sua avaliação à proximidade de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, aos milhões negociados para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e a pagamentos por serviços advocatícios cuja natureza questionou.

Um dos principais episódios é a negociação de financiamento para Dark Horse. Flávio pediu a Vorcaro US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para produzir o longa sobre o pai. O ex-banqueiro teria repassado R$ 61 milhões antes de ser preso. Mensagens e áudios divulgados publicamente mostraram o senador cobrando novos recursos para concluir a produção.

Outro ponto citado por Kataguiri envolve R$ 500 mil recebidos pelo escritório de advocacia de Flávio por serviços descritos como assessoria jurídica. O pagamento partiu da Contábil Correa, empresa cujo proprietário também era diretor de uma consultoria ligada ao conglomerado do Banco Master. Kataguiri questionou quais processos teriam sido atendidos e quais serviços justificariam o valor.

Além da relação com Vorcaro, Flávio é investigado pela Polícia Federal em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado e empresário Willer Tomaz, investigado em um esquema relacionado a apostas on-line e suspeitas de fraudes contra aposentados do INSS. Documentos obtidos pela PF indicam que os dois teriam compartilhado uma conta bancária no Santander, além de apontarem Flávio como usuário com acesso operacional a uma conta empresarial ligada a Tomaz. Ambos negam a existência de uma conta conjunta e afirmam que a relação entre eles é de amizade. A investigação também identificou viagens de jatinho custeadas por uma empresa de apostas ligada ao advogado, incluindo deslocamentos internacionais do senador. O inquérito tramita sob sigilo no STF e ainda apura a possível existência de irregularidades financeiras. =

Outro episódio envolve a destinação de quase R$ 200 mil em emenda parlamentar de Flávio ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), no Rio de Janeiro, após uma solicitação intermediada por sua assessora parlamentar junto a Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”. Ex-assessor dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, Calixto foi condenado por organização criminosa no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes.

O histórico político do senador também inclui as acusações de participação em um esquema de “rachadinha” quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. A investigação do Ministério Público apontava que parte dos salários de assessores de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) seria recolhida em benefício do então parlamentar. Uma das suspeitas era que a franquia da Kopenhagen administrada por Flávio na zona oeste do Rio tivesse sido utilizada para dissimular a origem de recursos, por meio de depósitos em dinheiro vivo registrados como vendas de chocolates. Os investigadores suspeitam que até R$ 1,6 milhão tivesse sido movimentado dessa forma. O processo foi arquivado em 2022, depois que provas utilizadas na acusação foram anuladas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo STF.

Ao avaliar a possibilidade de um eventual governo Flávio enfrentar o STF, Kataguiri também contestou a ideia de que o PL teria controle da Câmara dos Deputados. Segundo ele, os 120 parlamentares da legenda não representam maioria, e o Centrão continuaria sendo determinante para formar votações e definir a presidência da Casa. Embora reconheça que Flávio poderia ter influência no Senado, o deputado considera que isso não garantiria liberdade para iniciar processos de impeachment contra ministros do Supremo.

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