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Trump fecha negócio com Paraguai para alimentar data center com energia de Itaipu

Os Estados Unidos anunciaram um acordo entre uma empresa estadunidense e uma companhia paraguaia para construir um centro de computação de alto desempenho abastecido pela energia da Usina Hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai. A iniciativa prevê a instalação de uma infraestrutura voltada à inteligência artificial (IA) e à computação em nuvem, com início das operações previsto para meados de 2027. O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado dos EUA na quarta-feira (21), durante uma visita de autoridades estadunidenses a Assunção.

O acordo levanta questões sobre como Brasil e Paraguai podem aproveitar a geração de Itaipu para desenvolver suas próprias indústrias tecnológicas, atrair investimentos e agregar valor à energia produzida na região, em vez de limitar sua participação no setor à oferta de eletricidade para empresas estrangeiras.

Segundo o governo estadunidense, o empreendimento atenderá clientes de serviços de computação em nuvem dos EUA e da América Latina e poderá representar um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai.

O data center será instalado no Paraguai, e não em território estadunidense. A iniciativa permite que empresas dos EUA utilizem a disponibilidade energética paraguaia para operar uma infraestrutura tecnológica próxima à fonte de geração, fornecendo serviços digitais a clientes internacionais.

A estratégia também reforça a disputa global por energia para alimentar sistemas de inteligência artificial, cuja operação exige grandes quantidades de eletricidade.

A negociação tem implicações para as relações entre Brasil e Paraguai. Itaipu é uma usina binacional, administrada pelos dois países, que têm direito a 50% da energia gerada. Historicamente, o Paraguai vende ao Brasil parte da eletricidade a que tem direito e não consome internamente. Em 2025, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, já havia manifestado interesse em utilizar o excedente paraguaio para alimentar centros de dados de inteligência artificial. A possibilidade de atrair grandes consumidores para o Paraguai aumenta as alternativas comerciais do país nas negociações energéticas com o Brasil.

Em resposta ao anúncio, Itaipu Binacional informou que a contratação e a distribuição de energia são realizadas pelas entidades nacionais responsáveis: a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), no Paraguai, e a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), no Brasil. A usina afirmou que não interfere nas decisões de uso da energia dentro de cada país e que projetos dessa natureza não são de sua competência direta. O comunicado dos EUA não menciona a participação do governo brasileiro nas negociações.

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