E se uma história não começasse em um livro, em uma tela ou em uma música, mas surgisse simultaneamente em diferentes linguagens, fazendo com que o público precisasse atravessar cada uma delas para compreender o todo? Essa é a proposta de Lasombra, ópera rock transmídia brasileira que constrói um universo próprio a partir da integração entre música, cinema, videoclipes, histórias em quadrinhos, performance e narrativa nas redes sociais. Mais do que conteúdos derivados de uma mesma obra, cada formato assume uma função dentro da trama e revela uma parte diferente de seu mistério.
No centro desse universo está Rafael Dewein, um espírito que há anos procura uma maneira de estabelecer contato com o mundo dos vivos. Suas primeiras manifestações acontecem por meio de interferências em aparelhos eletrônicos — rádios, televisões, celulares e outros dispositivos — até que Rafael percebe que determinadas frequências sonoras conseguem atravessar o véu que separa os dois mundos. É quando encontra na música a forma mais potente de transformar som em mensagem e, dessa tentativa de comunicação, nasce a ópera rock Lasombra.
A ficção começa na forma de chegar ao público
A própria maneira como o projeto chega ao público faz parte da ficção. Antes de apresentar todas as respostas, Lasombra começa a espalhar pistas: Rafael tenta estabelecer contato pelo Instagram, enquanto três curtas-metragens acompanham suas manifestações no presente e introduzem acontecimentos que parecem desafiar a lógica do mundo dos vivos. Na sequência, a música passa a ocupar o centro da experiência com “Hierarquia”, primeiro single e videoclipe do projeto, que expande o enredo e apresenta visualmente personagens desse universo.
“Lasombra nunca foi pensada como uma banda com conteúdos ao redor dela. A história é a obra. A música é uma parte dessa história, assim como os curtas, os videoclipes, as HQs e as redes sociais. Cada linguagem revela algo que a outra não revela. O público pode chegar por qualquer uma dessas portas e, aos poucos, perceber que existe um universo muito maior por trás de tudo. O que mais me interessa é justamente essa sensação de descoberta, de encontrar uma pista em uma música, outra em um filme, outra em um quadrinho, e começar a montar esse quebra-cabeça”, explica Josué Flach, idealizador de Lasombra.
A narrativa não segue necessariamente uma ordem cronológica. Enquanto curtas-metragens, músicas, videoclipes e redes sociais acompanham Rafael no presente, já como espírito, as HQs transportam o público ao passado, quando ele ainda estava vivo. É nos quadrinhos que começam a surgir suas memórias, sua relação com o irmão Gabriel Dewein, com Padre Cícero e com Eric, o coveiro, além dos acontecimentos ocorridos na misteriosa cidade de Lasombra que transformaram definitivamente sua trajetória. Os quatro personagens formam, dentro da própria mitologia do projeto, a banda da ópera rock.
A pergunta que atravessa todas essas linguagens é aparentemente simples: por que Rafael quer voltar? A resposta não está concentrada em uma única obra. Ela é fragmentada entre canções, imagens, diálogos, interferências, quadrinhos, filmes e manifestações digitais, convidando o público a conectar informações e montar progressivamente o quebra-cabeça de Lasombra.
Rock pesado com identidade brasileira
Musicalmente, Lasombra nasceu há cerca de duas décadas, em um período fortemente marcado pelo nu metal, mas nunca foi concebida para permanecer dentro de uma única vertente. O repertório atravessa diferentes referências do metal e de outros gêneros, preservando o peso como elemento importante sem transformá-lo em uma limitação estética. Em “Hierarquia”, por exemplo, o riff principal apresenta uma cadência que se aproxima do baião, sinalizando uma busca por identidade própria dentro da sonoridade pesada.
Essa mistura também aparece na construção visual. O universo gótico, o horror, o imaginário sobrenatural e a atmosfera dark convivem com referências brasileiras inseridas nos personagens, figurinos e símbolos da obra. Elementos aparentemente ornamentais podem carregar significados dentro da história e ganhar novas interpretações conforme outros capítulos são apresentados.
“Hierarquia” funciona como uma porta de entrada para a sonoridade e para a estética do projeto, mas não estabelece uma fórmula para o restante da obra. Lasombra já conta com outras dez faixas em pré-produção, previstas para serem apresentadas progressivamente à medida que a narrativa se desenvolve.
Em vez de explicar seu universo de uma só vez, Lasombra escolhe revelar-se aos poucos. Cada lançamento acrescenta uma peça; cada linguagem oferece um ponto de vista; cada personagem pode esconder uma nova conexão. E, à medida que Rafael Dewein insiste em atravessar a fronteira entre os mortos e os vivos, o público é convidado a fazer o caminho contrário: entrar em Lasombra e descobrir o que aconteceu ali — e, principalmente, por que algumas histórias se recusam a permanecer enterradas.
O Palácio do Planalto pretende conseguir, ainda em 2026, a aprovação do projeto que estabelece regras de concorrência para os mercados digitais no Brasil, segundo a...
A democrata Deb Haaland, de 65 anos, foi eleita governadora do Novo México na terça-feira (3), durante as eleições legislativas de meio de mandato dos Estados...
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas em 3 de novembro, mostraram o avanço de candidatos democratas que fizeram da fé cristã um...