“Machosfera” reage: Motta faz acordo às escondidas para barrar criminalização da misoginia
A deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP) denunciou, nesta quarta-feira (08), uma manobra do presidente da Câmara Federal, deputado Hugo Motta (Repub-PB) e líderes de partidos de direita e do Centrão na Casa para barrar a votação do projeto que criminaliza a misoginia, já aprovado no Senado. Segundo ela, Motta fez um acordo às escondidas com essas lideranças para adiar a votação da matéria para depois das eleições.
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O adiamento seria parte de uma estratégia para esvaziar a discussão e esfriar a pressão popular, engavetando de vez o projeto. A alegação da cúpula da Câmara é de que o assunto seria “polêmico” demais para ser votado nesse momento.
“Mas polêmico pra quem? Quem são os deputados que não querem responsabilizar o discurso de ódio contra as mulheres?”, questionou Sâmia, afirmando que a bancada feminina da Casa não foi consultada sobre o assunto, nem comunicada oficialmente do acordo.
“Enquanto a violência e o feminicídio crescem, não dá mais pra adiar o enfrentamento à misoginia”, defendeu ela.
Pressão
A parlamentar afirmou que a bancada feminina na Câmara vai cobrar Motta e continuar mobilizando a população para pressionar pela votação da matéria o mais rápido possível. “Nós temos um projeto semelhante que já está na última comissão da Câmara, que é a CCJ, que já tem relatora designada, que é a deputada Lídice da Mata. Nós também já conseguimos coletar as assinaturas para que ele possa entrar em regime de urgência posteriormente no Plenário”, explicou Sâmia.
“Líder partidário machista nenhum e presidente da Câmara nenhum vai nos impedir de seguir batalhando para que as mulheres brasileiras possam ser salvas, ter as suas vidas protegidas e para que a misoginia seja, finalmente, vista e considerada crime no Brasil”, disse a deputada.
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