Mulheres negras são principais alvos da violência política no Brasil
O Instituto Marielle Franco (IMF) lançou nesta quarta-feira (27), a pesquisa inédita “Regime de ameaça: a violência política de gênero e raça no âmbito digital (2025)”, revelando um cenário alarmante de ataques sistemáticos contra mulheres negras, sobretudo aquelas que ocupam espaços de poder e representação pública.
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O levantamento, que cobre o período de junho de 2021 a julho de 2024, mostra que estar na política no país pode significar viver sob ameaça constante e, segundo o estudo, no caso das mulheres negras, essa violência se manifesta de forma ainda mais brutal.
Entre 2021 e 2025 foram mapeados 77 casos de violência política, evidenciando que esses episódios não são isolados, mas sim parte de um verdadeiro “regime de ameaça” marcado por ataques coordenados que buscam afastar mulheres negras da vida pública.
O estudo destaca que os principais alvos desses ataques são mulheres negras cis, trans e travestis, além de mulheres LBTQIA+, periféricas, defensoras de direitos humanos, parlamentares e ativistas.
Os dados revelam que 63,3% das intimidações estão relacionadas a ameaças de morte, 30,9% fazem alusão a estupro, 3,6% envolvem agressões físicas e 2,2% dizem respeito à exposição indevida.
Um dado ainda mais grave aponta que 63% das ameaças de morte recebidas por mulheres negras trazem referência direta ao assassinato da vereadora Marielle Franco, executada em 2018 no Rio de Janeiro, em um crime que permanece sem resolução definitiva.
De acordo com o Instituto, a violência política digital não se restringe a indivíduos, mas representa um ataque à própria democracia, funcionando como um sistema que tenta interromper trajetórias políticas e silenciar vozes dissidentes.
O relatório apresenta ainda recomendações concretas para enfrentar o problema, como a criação de uma política nacional de enfrentamento à violência política de gênero e raça, a responsabilização de agressores e das plataformas digitais que permitem a propagação de discursos de ódio e a garantia de segurança institucional para que mulheres negras possam permanecer nos espaços de poder. A pesquisa completa está disponível em www.violenciapolitica.org.
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