51 mortos no Nepal: protestos vão além da corrupção
Depois de semanas de tensão, uma proibição governamental de 26 redes sociais detonou protestos em massa liderados pela juventude nepalesa. Corrupção, privilégios e o sistema político que favorece elites são os principais temas levantados por essa parcela da população.
As manifestações, conhecidas como “protestos Gen Z”, podem ter resultado em 51 mortes, dezenas de instituições públicas incendiadas e o primeiro-ministro K.P. Sharma Oli forçado a renunciar. Agora, o Nepal tem uma primeira-ministra interina — Sushila Karki — e caminha para eleições em meio a apelos por transparência, reforma institucional e uma nova democracia representativa.
É verdade que os protestos do Nepal não soam estranhos, à primeira vista, para os brasileiros que vivenciaram as jornadas de 2013, quando manifestações bem-intencionadas tiveram sua narrativa capturada por interesses paralelos ao clamor das ruas. A semelhança é estrutural: aqui, o pano de fundo era a descoberta do pré-sal e a pressão sobre o modelo de serviços terceirizados e de consumo popular que ampliava o mercado interno, sob os olhos atentos do imperialismo estadunidense.
- Extrema-direita triplica votação em eleição na Alemanha
- Após politicagem com reunião inútil, Trump propõe “sanções severas” à Rússia
- Deputados democratas acusam Donald Trump de usar sanções contra o Brasil para proteger o golpista Jair Bolsonaro
Lá, o fio condutor é a disputa por hidrelétricas, rotas de transmissão de energia e infraestrutura logística, em um tabuleiro onde Índia, China e Estados Unidos tentam definir quem controla o futuro do Himalaia. No centro, um país altamente dependente de remessas, cercado por vizinhos poderosos e pressionado a abrir seus recursos hídricos e sua posição estratégica a projetos que interessam mais a potências estrangeiras do que à sua população.
Segundo dados do Banco Mundial, mais de 2,2 milhões de nepaleses vivem no exterior, enviando remessas que respondem por quase um terço da economia nacional. Esse desequilíbrio faz do Nepal o quinto país mais dependente de remessas no mundo. É nesse vácuo interno — de empregos, renda e perspectivas — que os protestos Gen Z se enraízam, mostrando que a crise não é apenas política: é o reflexo estatístico de um país cuja juventude precisa emigrar para sustentar o próprio futuro.
BookmarkContinue lendo
Novas mensagens com Vorcaro envolvem Nunes Marques, Mendonça e Fux no esquema do Master
Novas conversas extraídas do celular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que vieram à tona nesta terça-feira (15), a proximidade do banqueiro com familiares e...
Brasil perde Amelinha Teles, voz incansável da democracia
A jornalista, escritora e ativista dos direitos humanos Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, morreu nesta terça-feira (15). Referência na resistência à ditadura...
Lula vence Flávio no 1º e no 2º turno, aponta nova CNT/MDA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a corrida presidencial com 40,5% das intenções de voto, contra 30,4% de Flávio Bolsonaro, aponta a nova pesquisa...
Nunes Marques deixa julgamento após filho aparecer em mensagens de Vorcaro
O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se impedido de participar da sessão extraordinária desta terça-feira (15), convocada para avaliar se existem elementos...
Dino manda investigar ligação entre Banco Master e cemitérios de SP
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (15) novas investigações para detalhar possíveis irregularidades na concessão de cemitérios, crematórios e serviços...
Você viu todas as matérias.
Não foi possível carregar. Toque para tentar de novo.





