Brasil perde Amelinha Teles, voz incansável da democracia
A jornalista, escritora e ativista dos direitos humanos Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, morreu nesta terça-feira (15). Referência na resistência à ditadura militar e na defesa dos direitos das mulheres, ela construiu uma trajetória marcada pela luta por democracia, memória, verdade e justiça.
O velório será realizado nesta quarta-feira (16), entre 12h e 17h, no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo. A morte provocou manifestações de pesar entre autoridades, parlamentares, organizações sociais e militantes de diferentes gerações.
Nascida em Contagem, Minas Gerais, Amelinha começou a atuar politicamente ainda jovem e integrou a resistência clandestina organizada pelo Partido Comunista do Brasil. Em dezembro de 1972, foi presa na capital paulista e levada a centros de repressão, onde sofreu torturas físicas e violência sexual durante o regime militar, pelas mãos do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ídolo de Jair Bolsonaro.
Seus filhos, que tinham quatro e cinco anos, também foram sequestrados e conduzidos ao local para presenciar a violência praticada contra os pais. A experiência transformou Amelinha em uma das principais vozes brasileiras na denúncia dos crimes cometidos por agentes da ditadura.
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Em 1984, ela fundou a União de Mulheres de São Paulo e participou da mobilização feminista durante a Assembleia Nacional Constituinte. O movimento, conhecido como Lobby do Batom, teve papel decisivo na inclusão da igualdade de direitos entre homens e mulheres na Constituição de 1988.
Dez anos depois, Amelinha criou o projeto Promotoras Legais Populares, destinado à formação jurídica de mulheres em comunidades. A iniciativa se espalhou por diversos municípios e ampliou o acesso a informações sobre cidadania, direitos e enfrentamento à violência.
Ela ainda assessorou a Comissão da Verdade paulista e integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Uma ação movida por sua família contribuiu para que Brilhante Ustra fosse reconhecido judicialmente, em 2008, como torturador durante a ditadura, decisão posteriormente mantida pelas instâncias superiores.
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