O empresário paulista Sérgio Nahas, de 61 anos, foi preso no último sábado (17) no litoral norte da Bahia, mais de duas décadas após o assassinato de sua então esposa, a estilista Fernanda Orfali. Foragido da Justiça, ele foi localizado na região da Praia do Forte, em Mata de São João, após ser identificado por sistemas de monitoramento e reconhecimento facial, segundo informações da Polícia Militar baiana.
Nahas estava hospedado em um condomínio de alto padrão quando o Centro Integrado de Comunicações acionou equipes policiais para a abordagem. Durante a prisão, os agentes apreenderam 13 pinos de uma substância semelhante à cocaína, três telefones celulares e um veículo de luxo. Após ser apresentado à delegacia local, o empresário passou por audiência de custódia, que manteve a prisão, e foi encaminhado ao sistema prisional.
A detenção ocorre após uma longa trajetória judicial. Em 2018, a Justiça de São Paulo sentenciou Sérgio Nahas a uma pena de sete anos de reclusão, a ser cumprida inicialmente em regime semiaberto. A acusação recorreu, e o caso chegou aos tribunais superiores.
Em maio de 2025, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal manteve a condenação e aumentou a pena para oito anos e dois meses em regime fechado, rejeitando de forma unânime os recursos apresentados pela defesa.
O assassinato aconteceu em setembro de 2002, dentro do imóvel onde o casal vivia, no bairro de Higienópolis, área central da capital paulista. A versão apresentada por Nahas à época foi a de suicídio, após uma discussão conjugal.
As investigações, no entanto, apontaram inconsistências, como a ausência de resíduos de pólvora nas mãos da vítima e indícios técnicos incompatíveis com a narrativa do empresário. O Ministério Público sustentou que Fernanda se preparava para deixar o relacionamento, o que teria motivado o crime.
Recursos posteriores também foram rejeitados pelo Superior Tribunal de Justiça. Com a confirmação da pena, a Justiça determinou a expedição do mandado de prisão e a inclusão do nome de Nahas em alertas internacionais. A prisão na Bahia encerra um dos casos criminais mais longevos e controversos acompanhados pelo Judiciário paulista nas últimas décadas.
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