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Relatório da ONU revela que se investe 30 vezes mais em destruir a natureza do que em protegê-la

(Foto: divulgação)

Um relatório recente da Organização das Nações Unidas, divulgado pela Folha de S.Paulo, expõe um descompasso profundo entre o discurso global de sustentabilidade e o destino real do dinheiro que move a economia mundial. A análise mostra que, para cada dólar aplicado na proteção da natureza, cerca de 30 dólares continuam financiando atividades que degradam o meio ambiente.

A análise foi conduzida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente com base em informações referentes a 2023, considerando tanto os recursos provenientes do setor público quanto os investimentos de origem privada. Segundo o levantamento, aproximadamente US$ 7,3 trilhões foram direcionados a setores considerados prejudiciais aos ecossistemas.

Do total apurado, cerca de US$ 4,9 trilhões tiveram origem em investimentos privados, enquanto aproximadamente US$ 2,4 trilhões dizem respeito a incentivos estatais considerados prejudiciais ao meio ambiente.

Em contraste, o financiamento de soluções baseadas na natureza, iniciativas voltadas à proteção, restauração e uso sustentável dos ecossistemas, permaneceu limitado a US$ 220 bilhões, o equivalente a apenas 3% do volume aplicado em atividades destrutivas. A maior parte desses recursos teve origem estatal, evidenciando a baixa participação do capital privado na agenda ambiental.

O relatório aponta que, para cumprir as metas do acordo global de biodiversidade adotado pela ONU, os investimentos anuais em ações ambientais precisariam mais que dobrar até 2030, alcançando cerca de US$ 571 bilhões por ano. Ainda assim, esse valor representaria apenas uma fração do Produto Interno Bruto mundial. Até 2050, a necessidade anual subiria para algo em torno de US$ 771 bilhões.

A proposta central do Pnuma é promover uma ampla reorientação dos fluxos financeiros, redirecionando recursos hoje usados na degradação ambiental para iniciativas que integrem a natureza aos principais setores da economia.

O relatório cita experiências como a da Costa Rica, que viabilizou o reflorestamento com recursos de taxas sobre combustíveis fósseis, e da Dinamarca, que acelerou a transição energética ao reinvestir impostos sobre energia em pesquisa e inovação. Segundo a análise, exemplos como esses indicam que a mudança é complexa, mas possível, desde que sustentada por decisões políticas consistentes e baseadas em evidências científicas.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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