Depois do caso Banco Master, Fictor entra em recuperação judicial
O grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo, em uma tentativa de reorganizar sua situação financeira após uma forte deterioração de liquidez registrada nos últimos meses. A solicitação envolve a Fictor Holding e a Fictor Invest e busca abrir espaço para a renegociação de cerca de R$ 4 bilhões em compromissos financeiros, preservando as operações e os postos de trabalho ligados ao conglomerado.
A empresa afirma que a medida é necessária para estruturar negociações com credores de forma ordenada e evitar bloqueios judiciais que agravem ainda mais o caixa. O plano prevê a ampliação dos prazos de pagamento, sem redução dos valores devidos, além de um pedido de suspensão temporária de execuções judiciais por até 180 dias.
Nesse período, a companhia pretende apresentar um plano de recuperação que permita manter as atividades e garantir a continuidade de milhares de empregos diretos e indiretos.
A crise, segundo a própria Fictor, ganhou força a partir de novembro do ano passado, após a tentativa frustrada de aquisição do Banco Master. O anúncio da operação, que previa a entrada de investidores estrangeiros e um aporte bilionário, foi rapidamente esvaziado pela prisão do controlador do banco e pela liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central.
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A sucessão de fatos negativos abalou a confiança do mercado e desencadeou uma onda de resgates e atrasos em pagamentos a investidores.
Desde então, a empresa passou a ser alvo de questionamentos na Comissão de Valores Mobiliários, especialmente em relação a contratos de investimento que prometiam retornos elevados. Também houve bloqueios judiciais relevantes, incluindo recursos vinculados à operação de cartões corporativos da fintech do grupo.
Apesar do pedido de recuperação, áreas consideradas economicamente viáveis, como alimentos, energia e infraestrutura, ficaram fora do processo e devem seguir operando normalmente. A estratégia, segundo a defesa, é concentrar a reestruturação no nível corporativo, evitando impactos desnecessários sobre fornecedores, clientes e trabalhadores enquanto o grupo tenta recompor sua credibilidade financeira.
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