A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, continua gerando questionamentos e críticas quanto à forma como o caso vem sendo conduzido pelas autoridades. Publicações recentes e declarações oficiais reacenderam dúvidas sobre a versão apresentada no inquérito e ampliaram a cobrança por esclarecimentos mais consistentes.
Um dos principais pontos levantados diz respeito à cronologia do crime. A apuração sustenta que um adolescente teria saído do condomínio, cometido o ataque e retornado em cerca de 30 minutos. Para moradores e pessoas que acompanham o caso, a hipótese levanta dúvidas, sobretudo pela ausência de marcas visíveis de sangue, sujeira ou outros vestígios nas provas apresentadas, incompatíveis com a violência descrita no laudo.
Também há questionamentos sobre a responsabilização de outros envolvidos. Segundo registros que circulam desde o início do caso, outros adolescentes foram filmados em diferentes situações, cometendo maus-tratos ao Caramelo, outro animal que vivia na região junto com Orelha. Uma jovem estaria junto no momento dos fatos, mas não foi indiciada.
A situação dos pais dos jovens citados também entrou no centro do debate após a divulgação de informações e imagens de supostas ameaças feitas ao porteiro do condomínio, considerado peça-chave para o esclarecimento do ocorrido.
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Outro ponto sensível envolve a existência de provas audiovisuais. Um áudio atribuído ao porteiro, que poderia ajudar a reconstruir a dinâmica do crime, ainda não foi apresentado de forma pública. Desse modo, causou repercussão a divergência entre declarações de autoridades sobre um suposto vídeo do ataque.
Inicialmente descrito como extremamente chocante, o material teria sido posteriormente negado, durante reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, o que reforçou a percepção de contradições na comunicação oficial.
Diante das inconsistências apontadas, cresce a pressão por maior transparência e por uma apuração mais aprofundada. Nas redes sociais, manifestações pedem a reabertura de pontos considerados mal esclarecidos e defendem a instalação de uma comissão parlamentar para acompanhar o caso. Para críticos da investigação, as informações divulgadas até agora não são suficientes para encerrar o episódio.
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